Ninguém sabe de onde veio, ninguém sabe para onde vai, nem há quanto tempo viaja pelo espaço. Mas 2I/Borisov cruzou-se com o olhar atento do Telescópio Espacial Hubble da NASA. E agora, menos de dois meses após ter sido encontrado por um astrónomo amador na Crimeia, o mundo pode ver a primeira fotografia do único cometa interestelar a ser encontrado no Sistema Solar e o segundo objeto estrangeiro a visitar-nos.

A nova fotografia do 2I/Borisov chega mesmo a tempo do segundo aniversário da descoberta de ‘Oumuamua, um corpo celeste com formato de charuto que foi avistado a 19 de outubro de 2017 e que tinha origem extrassolar. 2I/Borisov foi observado a 30 de agosto deste ano e fotografado pelo Hubble a 12 de outubro. Não é a primeira imagem do cometa, mas é a mais nítida. Outras podem surgir nos próximos tempos, à medida que se aproxima da Terra.

A fotografia revela uma nuvem poeirenta à volta do núcleo do cometa, que é demasiado pequeno para ser nitidamente observado pelo Hubble, e uma cauda azulada de gases e poeiras. Como essas são características muito semelhantes às dos cometas que já conhecemos — todos vindos do Cinturão de Kuiper (da órbita de Neptuno até a 50 unidades astronómicas do Sol) ou da Nuvem de Oort (a região que corresponde à fronteira do Sistema Solar) —, 2I/Borisov vai ser estudado pelos astrofísicos para descobrirem mais sobre o nascimento dos sistemas planetários.

A 12 de outubro, 2I/Borisov estava a pouco mais de 418 milhões de quilómetros da Terra e viajava a 177 mil quilómetros por hora. Neste momento, está a seguir uma trajetória hiperbólica à volta do Sol e há de fazer a mais estreita aproximação ao nosso planeta a 07 de dezembro, quando ficar a 300 milhões de quilómetros da Terra — o dobro da distância que nos separa do Sol.

Em meados de 2020, 2I/Borisov vai aproximar-se de Júpiter e passar a 804 milhões de quilómetros do gigante gasoso. Depois disso, vai escapar do Sistema Solar e voltar à viagem pelos confins do espaço. Antes de o perdermos de vista, os astrofísicos tencionam fazer novas observações em janeiro de 2020, em busca de mais informações sobre as características químicas deste corpo celeste.