O jogador de futsal Ricardinho contou num documentário como esteve prestes a abrir mão de um contrato com o Benfica quando ainda era adolescente quando outro clube lhe pôs uma mala com milhares de euros à frente — e que o que lhe fez mudar de ideias foi uma bofetada da mãe.

Tudo começou com um encontro com o então presidente do Miramar Valadares Futsal, em que este, em representação do Benfica, recrutou o então adolescente mas já certeza do futsal português. “Foi tudo muito rápido”, recordou o jogador no documentário “Ricardinho, el otro Messi”, transmitido no canal Movistar+, da mesma empresa do clube onde atualmente joga Ricardinho.

“Perguntou-me quanto ganhava e disse-me ‘tudo bem, vais passar a ganhar três ou quatro vezes mais, vamos ajudar-te e vais ser o melhor do mundo’. Ele estava muito confiante”, conta. Ficou tudo selado com uma passou-bem. “Dá-me um aperto de mão, que para mim a mão vale mais do que tudo”, ter-lhe-á dito aquele dirigente desportivo.

A proposta era boa e má ao mesmo tempo. Por um lado, era uma oportunidade de ouro para o jovem se afirmar num clube de grande dimensão e ganhar um bom salário. Por outro, teria de passar a viver longe de casa, num bairro social em Valbom, em Gondomar, afastando-se assim de família e amigos.

Pouco tempo depois, recebeu um telefonema de um presidente de outro clube de futsal, o Freixieiro. Queria falar com ele, mas teria de ser em sua casa. O dirigente desportivo foi recebido por Ricardinho e pela mãe dele. À chegada, pousou uma mala na mesa e abriu-a à frente dos dois. Estavam lá “5 ou 10 mil euros”, recorda Ricardinho.

“O presidente do Freixieiro sabia que nós éramos pobres e disse: ‘Você deixa o seu filho ir para o Freixieiro e este dinheiro é para vocês'”, conta a mãe de Ricardinho, também naquele documentário.

A cabeça do jovem Ricardinho começou logo a funcionar. “Se assino aqui, este clube é no Porto, estou ao lado de casa e está tudo bem”, pensou. Com os olhos postos no dinheiro, esticou a mão para pegar numa caneta e assinar o contrato que lhe foi oferecido. Mas, depois, lá veio o que aqui nos traz: a estalada que a mãe lhe deu.

“A minha mãe deu-me um estaladão…”, conta. “Eu fiquei mais branco do que sei lá o quê e comecei a chorar de vergonha, nem foi pela dor”. Imediatamente, a mãe atirou-lhe: “O que é que estás a fazer?! Somos pobres, mas somos honestos. Deste a tua palavra a quem? Ao Benfica, não foi? Então agora vai para lá”.

Ricardinho ainda tentou demovê-la: “Mas está aqui tanto dinheiro…”. Não resultou. Segundo recorda o próprio, a mãe disse-lhe: “Não, não, não. Vais aprender que a palavra vale mais do que tudo”.