Até ao final de setembro deste ano foram realizadas 508 ações de fiscalização a lares e outros equipamentos de apoio a idosos das quais resultaram 93 encerramentos — nove deles com carácter de urgência, por representarem perigo de saúde e de segurança para os utentes que albergavam. Em média, são 10 encerramentos por mês, um aumento considerável relativamente ao ano passado, em que, nos primeiros sete meses do ano foram fechados 56 lares no total — em média, oito por mês.

Os números, do Instituto de Segurança Social (ISS), são divulgados esta terça-feira pelo Jornal de Notícias. E de acordo com João Ferreira de Almeida, presidente da Associação de Apoio Domiciliário de Lares e Casas de Apoio de Idosos (ALI), não serão sequer os mais preocupantes: 30 a 35 mil idosos viverão atualmente em lares ilegais, sobretudo na Aréar Metropolitana de Lisboa, nomeadamente entre Sesimbra e Sintra, estimou o dirigente ao mesmo diário. “O que acontece quando um lar deste tipo é encerrado por razões administrativas, sem que a Segurança Social encontre indícios de maus-tratos, é a deslocalização dos serviços para uma outra casa.”

A dificuldade em conseguir vaga num lar comparticipado pelo ISS, associada aos preços elevados — a mensalidade cobrada a um idoso num lar comparticipado nunca é menor do que 1080 euros, em lares privados poderá ser consideravelmente mais cara ainda — justificará a escolha de um lar ilegal por parte de famílias carenciadas, explicou ao jornal o padre Lino Maia, presidente da Confederação Nacional das Instituições de Solidariedade (CNIS). “Assistimos hoje a um oportunismo na comunidade portuguesa que leva a que se abram lares que não respeitam os parâmetros e praticam preços que conseguem chegar a metade dos praticados pelas IPSS.”