Pais de alunos da Escola Básica de Pinhote, em Marinhas, Esposende, manifestaram-se esta quarta-feira contra o “estado caótico” da rua fronteira ao estabelecimento de ensino, mas não puderam colocar cadeados nos portões, devido à presença da GNR.

Jorge Capitão, da Associação de Pais, disse à Lusa que estava previsto colocar os cadeados nos três portões da escola cerca das 6h30, mas a essa hora a GNR já se encontrava no local.

“Os cadeados não foram colocados, mas o protesto realizou-se na mesma e as crianças não estão a ir às aulas”, referiu, sublinhando que não se registou qualquer incidente com aquela força de segurança.

Segundo Jorge Capitão, em causa está uma empreitada de saneamento que “faz jus ao nome de obra de Santa Engrácia”.

A obra avançou em finais de 2017, antes das eleições autárquicas, e tinha um prazo de execução de 240 dias, mas, entretanto, já lá vão dois anos e o que temos é o que se vê, lama e mais lama e enormes poças de água. E o pior de tudo é que ninguém nos diz quando acabará este martírio”, referiu.

Acrescentou que, no verão, o problema é a poeira insuportável que se levanta.

O presidente da Câmara de Esposende, Benjamim Pereira, já disse à Lusa que o problema está relacionado com as dificuldades financeiras da empresa que ganhou o concurso público para aquela obra de saneamento, orçada em 350 mil euros.

Segundo o autarca, a empresa entrou em incumprimento e a Câmara já iniciou os procedimentos para rescisão do contrato.

“São procedimentos sempre muito morosos”, referiu, sublinhando que a Câmara “compreende” o protesto dos pais e está “inteiramente solidária” com eles.

Vincou que a empresa “não abandonou a obra” e que tem feito os possíveis para minimizar os impactos, designadamente regando a rua para evitar as poeiras.

Admitiu, no entanto, que “quando chove muito” se registam “algumas complicações” no acesso à escola.