A Ironhack, uma escola de formação em tecnologia para novos profissionais espanhola, lançou um programa de pagamento “partilhado” para cursos de programação. Inicialmente, a Ironhack avança com um curso de programação e, quando os formandos tiverem um emprego que pague “no mínimo, 1.250 euros” mensais, entregam 12% do seu rendimento anual bruto para saldar a dívida. A escola chama a esta iniciativa de “Income Sharing Agreement” (ISA) em inglês (acordo de rendimento partilhado) em português.

O objetivo da escola que oferece cursos como de Web Development (desenvolvimento de aplicação e ferramentas para a Web) ou UX/UI Design (criação de interfaces ou experiência para software), é permitir que “um
conjunto de alunos selecionados” possa integrar as suas formações. Como explica Álvaro González, diretor-geral da Ironhack Lisboa, a medida surge depois de terem tido candidatos que não avançaram com os cursos “porque não dispunham dos recursos financeiros necessários para o pagar”.

A nossa missão é tornar a educação de qualidade na área tech mais acessível a uma escala global, promovendo a equidade. Ao sermos pioneiros a trazer este modelo para Portugal damos mais um importante passo nesse sentido, esforçando-nos por alinhar as nossas metas e preocupações enquanto escola com as dos alunos”, diz o responsável da Ironhack.

Para garantir o funcionamento deste método de pagamento (retardado), a Ironhack juntou-se à StudentFinance para assegurar que, mal o aluno arranje emprego, o pagamento seja feito. Ao todo, o aluno faz um máximo de 48 prestações mensais para saldar a dívida ou, quando atingir 1,5 vezes aquele valor, acaba o pagamento.

Acreditamos em aumentar o acesso a oportunidades de educação que conduzam a carreiras de impacto elevado através de Acordos de Rendimento Partilhado. Estamos muito satisfeitos por colaborar com a Ironhack nesta missão conjunta”, diz Mariano Kostelec, CEO da StudentFinance.

Este programa vai ser lançado em janeiro para o “bootcamp full-time de Web Development”, para “um grupo inicial de 15 alunos com reconhecido potencial. No futuro, o objetivo será alargar o programa a centenas de outros alunos em Portugal. As candidaturas já estão abertas. Para se ser elegível é necessário ser-se cidadão português e passar por “um processo de admissão, composto por uma entrevista pessoal seguida de uma entrevista técnica”.

A Ironhack tem já nove pontos de formação nas cidades de Madrid, Barcelona, Miami, Paris, México, Berlim, Amesterdão, São Paulo e Lisboa. A empresa diz que, desde 2013, já formou mais de três mil estudantes que conseguiram lugares em empresas tecnológicas como a Google, Twitter ou Cabify. Recentemente, a Ironhack recebeu uma ronda de investimentos de Série B no valor de quatro milhões de euros.

A empresa chegou a Portugal em 2018.