Ana Isabel Pedroso descobriu que queria ser médica muito nova: “Salvar vidas e trabalhar para o bem dos outros parecia espetacular, e a medicina era um bom caminho para isso acontecer”, conta. Mas a medicina é um mundo muito vasto, por isso, quando foi preciso escolher, seguiu a especialidade de medicina interna, “que está relacionada com o mundo da urgência, e este com o da emergência, que é onde fazemos mesmo a diferença e salvamos a vida das pessoas. Estar no sítio certo à hora certa e fazer a diferença”, justifica.

Adora o que faz e não trocava esta profissão por nenhuma outra. “Quando integramos o INEM, fazemos um curso inicial, no qual, entre outras coisas, aprendemos a fazer uma triagem. São-nos dados vários cenários, para sabermos como agir. Mas é só quando começamos a andar na rua, na vida real, que aprendemos realmente a saber o que fazer, a fazer a triagem e a delinear a estratégia mais adequada”, explica com entusiasmo.

Acredita que há uma relação muito próxima entre a sua ação diária e a salvação do planeta. “Da mesma forma que nós trabalhamos no mundo da emergência médica, sabemos que é emergente salvar o planeta. E, em ambos os casos, os pequenos gestos fazem a diferença. Se todos tivermos pequenas atitudes no nosso dia a dia, auxiliarmos na reciclagem, ter atos conscientes de não deixar lixo onde não é suposto e dar um bocadinho de nós, deixando as coisas melhor do que estavam, vamos fazer a diferença”.

Não esquece ainda de que não há heróis isolados. “Nunca estamos sozinhos. Na estrada somos uma equipa, na qual está igualmente presente o enfermeiro, os técnicos de emergência, os bombeiros e os polícias. Cada um cumpre o seu papel, para fazer com que tudo funcione.”

Trabalhar para a sustentabilidade a 360º

Fala com propriedades destas duas realidades – a da sustentabilidade do planeta e da sua atividade profissional. Afinal, a parte ambiental surgiu igualmente cedo na sua formação. “Integrei a Associação de Guias de Portugal, e sempre fiz muitas ações na natureza, como limpar praias em Cascais ou a serra de Sintra, e plantar árvores, entre outras coisas. E, depois, enquanto dirigente da associação, já mais velha, também continuei a promover este tipo de ações”, conta.

Com dois filhos ainda pequenos, espera conseguir passar-lhes a mensagem de forma a que eles entendam a necessidade da preservação da biodiversidade do planeta. “As escolas já fazem muita coisa, é lá que aprendem a reciclar e a falar de sustentabilidade. Mas, em casa, também devemos falar sobre o tema e mostrar-lhes que estamos a agir, dando o exemplo. Por mais pequenos que sejam, podem ir connosco ao lixo e começar a aprender a reciclar.  Afinal, “nós somos a sua primeira referência, somos os primeiros educadores”, acredita. Mas serão eles a receber a herança que lhes vamos deixar e que queremos que seja o mais leve possível.