Cerca de uma centena de motoristas de transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica (TVDE) manifestaram-se esta terça-feira em frente à sede da plataforma Uber, no Porto, contra a prevista redução das tarifas.

Convocada nas redes sociais pelo grupo “Duros do Porto”, a iniciativa pretendeu denunciar a recente decisão da administração daquela plataforma de reduzir de 65 cêntimos para 59 cêntimos do valor pago por quilómetro aos motoristas.

Luís Oliveira, um dos manifestantes que se juntou na zona industrial do Porto, explicou à Lusa que, depois de no início do ano os motoristas terem sido “convocados para assinar um novo contrato”, cerca de “duas horas e meia depois receberam a indicação da [plataforma] Uber de que o preço pago por quilómetro iria baixar”.

Além do facto de o preço do gasóleo e da manutenção dos carros ter aumentado, sentimo-nos também lesados porque essa diminuição foi feita horas depois de termos assinado um novo contrato e sem termos sido ouvidos”, criticou o profissional há três anos e meio a trabalhar na TVDE.

Estimando serem “cerca de 25 mil pessoas afetadas por esta decisão”, explicou que, embora os motoristas “sejam livres para trabalhar com a plataforma que quiserem”, a decisão de avançar com o protesto “visa melhorar as condições em todas elas”.

“Queremos que baixem a taxa de 25% para 15% na comparticipação pelas corridas”, precisou Luís Oliveira.

Ao lado, um grupo de colegas exibia uma tarja onde se lia: “Contra a descida das tarifas. Menos receita de impostos, menos receita para as empresas, menos receita para os motoristas e não é garantido maior número de viagens. Todos perdem”.

Um dos que a seguravam, Rui Almeida, motorista TVDE há quase dois anos, anunciou a intenção de os motoristas seguirem em marcha lenta até à baixa do Porto, para “mostrar a insatisfação” dos profissionais.

“Tenho cerca de oito mil viagens e sinto-me revoltado e burlado porque não estamos a ser pagos devidamente pelas diversas plataformas”, disse à Lusa. E prosseguiu: “eu funciono em regime autónomo, ou seja, sou eu quem paga o carro e o gasóleo semanalmente e estes novos preços obrigam-me a ter de fazer ainda mais horas para poder pagar este carro”.

A conversa com a Lusa, entretanto, foi cortada por mais um contratempo na luta dos motoristas, soando do lado a informação de que a Bolt, outra das plataformas muito representadas na manifestação, “acabara de baixar os preços de 59 cêntimos para 55 cêntimos [valor por quilómetro] e ao minuto de 9 para 8 cêntimos”.

Na comunicação, por email, a que a Lusa teve acesso, a plataforma justifica a redução nos preços, que entrará em vigor às 9h30 de 8 de janeiro, para “aumentar a rentabilidade, aumentando o número de viagens numa época em que tipicamente se verifica uma queda na procura”.

Na mesma comunicação, a Bolt relembra “manter a comissão mais baixa do mercado, 15%, e o maior rendimento por quilómetro e minuto”. Cerca das 15h45 a comitiva que prometia chegar aos “100 carros” rumou à baixa do Porto, como prometido, em marcha lenta.