O presidente do Sporting, Frederico Varandas, exigiu “responsabilidade individual” para os adeptos com comportamentos violentos, em vez de serem os clubes multados, considerando que estes têm “capacidade para identificar 90% dos adeptos”.

“Isto penaliza muito os clubes. No caso do Sporting, acaba por ser ainda mais ridículo e caricato. Esses adeptos atiram tochas para o nosso relvado, para os nossos adeptos”, realçou, acrescentando: “Para mim, é inqualificável ver grupos, em Alvalade, que não festejam um golo e que causam instabilidade à sua equipa de futebol. Isto é apoiar? Uma claque existe para apoiar o clube, sem pedir nada em troca”.

À saída de uma “reunião produtiva” com o secretário de Estado do Desporto e da Juventude, João Paulo Rebelo, e o secretário de Estado adjunto da Administração Interna, Antero Luís, Frederico Varandas acredita que o governo está “completamente solidário” com as ideias do Sporting, recusando compactuar com “escumalha” que incita comportamentos violentos.

“Não podemos pactuar, e a lei tem de ser realmente efetiva, com escumalha que faz incitamento à violência, ao ódio, com escumalha que emite sons de ‘very light’ para celebrar um homicídio, escumalha que atira tochas para cima de atletas… Essa escumalha não tem espaço nos recintos desportivos, não pode ter”, sublinhou.

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O líder dos ‘leões’ assegurou que o Sporting vai “fazer esta luta, sozinho ou acompanhado”, apontando que é preciso “aprender a lição” com a invasão ao centro de treinos do clube, em Alcochete, em 15 de maio de 2018.

“Independentemente das rivalidades que têm de existir, há coisas superiores. Vejam o exemplo de Espanha, o que os ‘três grandes’ fizeram, a violência que deixou de existir. É preciso ter coragem? Claro que é. É cómodo, fácil? Não, não é”, expressou.

Na presidência dos ‘leões’ desde 09 de setembro de 2018, Frederico Varandas deixou a garantia que, no próximo ano, o Estádio José Alvalade “vai ser um espaço onde as famílias se vão sentir confortáveis”, sabendo o esforço do Governo para mudar e prevenir os comportamentos que lamentou serem “cada vez mais vulgares”.

“Quero acreditar que novos tempos virão, onde haja mais eficácia e se consiga erradicar determinados comportamentos lamentáveis que afetam o desporto e a sociedade portuguesa. Existe hoje uma lei contra a violência no desporto, desde setembro em vigor, existe uma autoridade de prevenção, mas a lei em si não faz nada. Temos de aplicar a lei e agir”, disse.

Em comunicado conjunto do Ministério da Administração Interna e do Ministério da Educação, o Governo assegurou que, de todas as partes presentes na reunião, “resultou o compromisso de aprofundar o trabalho para que […] todos contribuam para um ambiente saudável e pacífico nos espetáculos desportivos”.

“O Governo mantém-se fortemente empenhado em garantir as condições para a prevenção e o combate a todas as formas de violência no desporto, contando para esse efeito com todos os agentes envolvidos no fenómeno desportivo”, concluiu.