Centenas de migrantes oriundos de países da América Central cruzaram esta quinta-feira de forma ilegal a fronteira entre a Guatemala e o México, aproveitando a escassa presença de forças de segurança no local, relataram as agências internacionais.

Uma vez no lado mexicano, os migrantes prosseguiram caminho por uma estrada em direção à localidade fronteiriça Ciudad Hidalgo, no Estado de Chiapas (sul), testemunhou a agência France-Presse (AFP) no local.

“Queremos falar diretamente com o Presidente (mexicano) Lopez Obrador”, lia-se numa faixa transportada por alguns migrantes, enquanto outros agitavam bandeiras dos respetivos países de origem, segundo a AFP.

Cerca de 400 migrantes centro-americanos já tinham tentado na segunda-feira forçar a entrada no território mexicano através do rio Suchiate, localizado entre a Guatemala e o México, mas na altura foram travados, e muitos deles detidos, pelas forças de segurança mexicanas que estavam destacadas na zona com um grande dispositivo.

Estes migrantes esperam que o México permita a sua deslocação rumo à fronteira com os Estados Unidos, onde pretendem solicitar o estatuto de refugiado.

Face à multiplicação de caravanas de migrantes oriundos de países da América Central (como Honduras, El Salvador, Guatemala ou Nicarágua) no final de 2018 e nos primeiros meses de 2019, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou o México com a imposição de taxas aduaneiras caso o país não conseguisse travar a vaga migratória em direção à fronteira norte-americana.

Em reação à pressão de Washington, o chefe de Estado mexicano, Lopez Obrador, ordenou o destacamento de cerca de 26 mil militares para as fronteiras sul e norte do país.

Em setembro de 2019, o México divulgou que, desde maio desse ano, tinha reduzido em mais de metade (56%) o fluxo de migrantes indocumentados em direção à fronteira dos Estados Unidos.

A luta contra a imigração ilegal tem sido uma das prioridades políticas de Donald Trump, que chegou a descrever como uma ameaça à segurança nacional os milhares de migrantes oriundos da América Central que tentaram entrar nos Estados Unidos, de forma mais constante, desde outubro de 2018.