A embaixada portuguesa em Pequim alertou este domingo os residentes na China para a “evolução muito rápida” do novo coronavírus no país, apontando a celeridade com que as autoridades locais estão a implementar medidas de quarentena.

Sublinhamos que a evolução da situação é muito rápida e que as decisões das autoridades chinesas em impedir a circulação de transportes ou de implementar medidas de quarentena não são comunicadas com antecedência e têm aplicação praticamente imediata”, lê-se na nota, difundida através do portal oficial da embaixada.

A notificação surge depois de o ministro da Saúde da China, Ma Xiaowei, ter revelado que os infetados com o novo coronavírus, originário na cidade de Wuhan, no centro do país, podem transmitir a doença durante o período de incubação, que demora entre um dia e duas semanas.

Durante aquele período, os infetados não revelam sintomas, o que anula o efeito das medidas de rastreio, como medição de temperatura nos aeroportos ou estações de comboio.

O ministro alertou ainda que a disseminação do vírus, que já matou 56 pessoas na China e infetou mais de dois mil, deve acelerar nas próximas semanas.

As autoridades chinesas proibiram já as entradas e saídas de Wuhan e de várias cidades vizinhas, por período indeterminado, numa quarentena de facto que afeta mais de 40 milhões de pessoas.

O Governo português indicou à agência Lusa que foram identificados 20 portugueses que são residentes em Wuhan ou que se encontram em visita e está a estudar a possibilidade de os retirar daquela cidade, “se isso for viável à luz das regras de saúde pública”.

Miguel Matos, um dos portugueses a residir em Wuhan, contou à Lusa que na sétima maior cidade da China, com 11 milhões de habitantes, o silêncio é “total”, com os “estabelecimentos encerrados e as ruas vazias”.

Após a notificação das autoridades, na quinta-feira passada, legumes e outros bens esgotaram rapidamente nos supermercados da cidade, à medida que as famílias vão acumulando mantimentos. Nas bombas de gasolina, formaram-se também longas filas ao longo do dia.

A emergência de saúde pública ocorre quando a China celebra o Ano Novo Lunar, o feriado mais importante do calendário chinês, equivalente ao natal nos países ocidentais, e durante o qual centenas de milhões de chineses viajam. Pequim está a considerar a possibilidade de prolongar as férias do ano novo e adiar a reabertura das escolas, como parte do esforço para conter a propagação da doença.

O Governo chinês poderá “apropriadamente” prolongar o feriado, para “reduzir o movimento das pessoas”, informou este domingo a televisão estatal CCTV. A cidade de Suzhou, no leste da China, foi uma das primeiras a anunciar aquela medida, pedindo às empresas que dessem férias aos funcionários até ao dia 8 de fevereiro.

As agências de viagens chinesas cancelaram também visitas organizadas dentro e para fora do país, enquanto Pequim suspendeu este domingo os autocarros para dentro e fora da cidade.

O vírus foi inicialmente detetado no mês passado num mercado de mariscos nos subúrbios de Wuhan, a capital da província de Hubei, que é também um importante centro de transporte doméstico e internacional, mas alastrou-se, entretanto, a várias províncias chinesas.

A doença foi identificada como um novo tipo de coronavírus, semelhante à pneumonia atípica, ou Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS), que entre 2002 e 2003 matou 650 pessoas na China continental e em Hong Kong.

Casos de coronavírus foram, entretanto, detetados nos Estados Unidos, França, Canadá, Austrália, Singapura, Malásia, Tailândia, Japão, Vietname, Coreia do Sul e Nepal.

Em Portugal, a Direção-Geral da Saúde informou este domingo que o caso suspeito de infeção em observação em Lisboa foi negativo, após realização de análises laboratoriais.

Trata-se de um homem que tinha regressado de Wuhan no sábado, e que foi internado no Hospital Curry Cabral em situação estável.

O Centro Europeu de Controlo de Doenças admitiu que a possibilidade de transmissão secundária no espaço da União Europeia é baixa, “desde que sejam cumpridas as práticas de prevenção e controlo de infeção relacionadas com um eventual caso importado”.

As autoridades chinesas alertaram que o país está no ponto “mais crítico” quanto ao controlo do vírus e suspenderam transportes, cancelaram celebrações do Ano Lunar do Rato e colocaram em quarentena 13 cidades.

Os sintomas associados à infeção causada pelo coronavírus com o nome provisório de 2019-nCoV são mais intensos do que uma gripe e incluem febre, dor, mal-estar geral e dificuldades respiratórias, como falta de ar.