Vanessa Nakate, uma ativista do Uganda, posou com outras quatro ativistas pelo clima, incluindo a sueca Greta Thunberg, para uma fotografia em Davos, na Suíça, onde participaram numa conferência pela defesa do ambiente. O problema? A agência de notícias Associated Press (AP) cortou Vanessa da imagem que publicou — uma decisão que, para a ativista, se trata de racismo.

“Por que razão me cortaram da fotografia? Eu fazia parte do grupo”, disse Vanessa, acrescentando mesmo que sentiu pela primeira vez “o significado da palavra racismo”. “Apagaram um continente”, criticou. A jovem participa no movimento de greves pelo clima Fridays for Future, criado por Greta Thunberg.

Na resposta, David Ake, diretor de fotografia da AP, garante que o corte “foi feito por um mero critério de composição”. “O fotógrafo cortou [Vanessa] da fotografia porque pensou que o edifício que se via ao fundo era uma distração”. Em frente a esse edifício estava, precisamente, Vanessa Nakate. Já a editora executiva da AP, Sally Buzbee, lamentou o incidente. “Lamentamos termos publicado a fotografia esta manhã [sexta-feira] que cortou a ativista do Uganda Vanessa Nakate, a única pessoa de cor na fotografia. Como uma organização noticiosa, preocupamo-nos profundamente em representar com exatidão o mundo que cobrimos”, disse.

Entretanto, a AP já substituiu a fotografia pela original, mas a nova imagem não faz referência à alteração, nem justifica o corte da fotografia antiga.

Num vídeo com cerca de 10 minutos, a ativista critica a decisão inicial da AP. “A minha mensagem foi deixada de fora. E a minha fotografia também.”

“Excluir as nossas vozes é inútil. Excluir as nossas histórias não mudará a situação”, apontou ainda. “Não merecemos isto. África é o continente que menos carbono emite, mas é o mais afetado pela crise climática”, afirmou.

As críticas quanto à decisão da AP fizeram ouvir-se. Greta Thunberg veio em defesa da amiga e, no Instagram, considerou que a escolha editorial foi “totalmente inaceitável”.

“Esta sexta-feira, cinco representantes do movimento Fridays for Future participaram numa conferência em Davos. Uma agência de notícias optou por editar a imagem como se mostra acima, cortando Vanessa Nakate da fotografia. Isto é totalmente inaceitável de várias formas. Como a própria Vanessa disse: ‘Simplesmente não se apaga uma fotografia. Apagaram um continente'”.

Uma outra agência noticiosa, a Reuters, identificou a ativista como sendo da Zâmbia. Mais tarde, viria a retirar a referência à nacionalidade de Vanessa, mantendo a das restantes ativistas.