Foi em Martorell, a fábrica nos arredores de Barcelona onde é produzido, que a Seat apresentou o novo Leon, a quarta geração do modelo. Além de ser o que mais vende na gama da Seat, o Leon disputa igualmente o maior segmento no mercado europeu, o C, onde a concorrência é particularmente agressiva, o que levou a marca a recorrer todas as armas possíveis para enfrentar a batalha que tem pela frente.

Fruto de um investimento de 1,1 mil milhões de euros, este é o Leon que mais evolui face à geração anterior. Além de estar mais maduro e sofisticado sob o ponto de vista estético, muda também de plataforma, para poder acomodar mecânicas electrificadas, o que simultaneamente lhe assegura uma maior distância entre eixos, com promessas de um maior espaço interior. Mas vamos ver em pormenor tudo o que mudou no compacto espanhol.

Diferente por fora e com mais personalidade

Tradicionalmente, é o Leon que aponta o rumo da nova linguagem estética do fabricante para o próximo ciclo de produto. Desta vez, as contas saíram-lhe um pouco furadas, uma vez que o SUV Tarraco, que saiu antes, antecipou a nova grelha. Mas em tudo o resto coube à mais recente geração do familiar compacto mostrar a direcção.

A nova grelha, mais estilizada e com novas formas, integra agora melhor os grupos ópticos (que são de LED em todas as versões, mesmo as mais acessíveis), que surgem mais esguios e com efeito tridimensional. Tudo junto confere ao modelo mais personalidade e um aspecto mais sofisticado.

Vista de lado, a quarta geração do Leon parece mais comprida, e é, com um pilar A menos inclinado, sem que isso lhe prejudique o rendimento aerodinâmico, pois o Cx melhora 8%. Mas é a traseira que mais se impõe pelas diferenças, com mais protuberâncias e com os farolins mais pequenos e em LED a surgirem juntos por um fino elemento horizontal, que lhe reforça a assinatura luminosa, contribuindo para tornar o modelo mais atraente.

É maior do que o anterior?

O novo Leon vai estar disponível com dois tipos de carroçarias, desaparecendo a variante com apenas três portas. O hatchback de cinco portas tem agora um comprimento de 4,368 metros, sendo uns generosos 8,6 cm maior do que o seu antecessor. Isto enquanto é ligeiramente mais estreito (1,800 m, menos 1,6 cm) e mais baixo (1,456 m, menos 0,3 cm).

A carrinha ST, de Sportstourer, cresce de forma ainda mais significativa, ao acusar agora um comprimento de 4,642 m, mais 9,3 cm do que até aqui, sendo igualmente um pouco menos larga e alta, com respectivamente 1,800 m (menos 1,6 cm) e 1,448 m (menos 0,3 cm).

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Grande parte do incremento no comprimento tem a ver com o facto de o novo Leon estar montado sobre a nova versão da plataforma MQB, que facilita a adopção de mecânicas electrificadas, o que lhe confere mais 5,0 cm na distância entre eixos. Esta melhoria incide directamente no espaço que existe para alojar as pernas de quem se senta atrás, onde se passa a viajar com outro conforto.

A mala também cresce, mas apenas a da ST, que passa a disponibilizar uns impressionantes 617 litros, mais 30 do que anteriormente. O hatchback mantém uma bagageira com 380 litros.

Há motores novos?

Em matéria de motorizações, há soluções para todos os gostos. Para quem prefere as unidades a gasolina, a Seat preparou duas versões do 1.0 TSI sobrealimentado com três cilindros, capaz de fornecer 90 cv na versão mais calma e 110 cv na mais dinâmica. Se pretender ir um pouco mais longe, em termos de força, pode sempre optar por pelo tetracilíndrico 1.5 TSI, com versões de 130 cv e 150 cv, com o 2.0 TSI de 190 cv a encerrar de momento a oferta. O que não implica que, mais tarde, não venha a surgir uma versão mais possante e desportiva.

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Os amantes dos motores diesel não foram esquecidos, até porque a marca espanhola acredita que o TDI vai continuar a ser bastante representativo em muitos mercados, isto apesar de perder o motor 1.6, como já tinha acontecido com a oitava geração do Golf. A gasóleo surge o 2.0 TDI, com potências de 115 cv e 150 cv, com o primeiro a visar satisfazer os que até aqui optavam pelo Leon 1.6 TDI.

Entre os motores com preocupações ambientais, surgem os mild hybrid a 48V, nas versões 1.0 eTSI de 110 cv e 1.5 eTSI de 150 cv, ambos com potencial de cortar um pouco no consumo e outro tanto nas emissões de CO2. Menos poluente é igualmente a versão a gás natural, com o 1.5 TGI de 130 cv.

A maior novidade no que respeita aos motores é específica do Leon eHybrid, na realidade a versão híbrida plug-in (PHEV) do modelo. Tal como no Golf, este Leon PHEV alia o motor 1.4 turbo em ciclo Miller, com 156 cv, a uma unidade eléctrica que eleva a potência para 204 cv, alimentado por uma bateria com 13 kWh. Este acumulador garante uma autonomia de 60 km em modo eléctrico, sendo que o eHybrid está apenas disponível se associado à caixa automática de dupla embraiagem, que no novo Leon surge na versão mais recente, já com comando by wire.

O que oferece de novo o habitáculo

Além de mais espaçoso, o novo Leon estreia um novo tablier com um design destinado a reforçar a sensação de espaço a bordo. Os materiais são bons, agradáveis à vista e ao toque, com os bancos a suportarem bem o corpo e a oferecer uma boa distância ao tejadilho.

Destaque para o painel de instrumentos digital, graças a um ecrã com 10,25 polegadas, com o resto da informação a ser complementada pelo ecrã ao centro do tablier, que pode ter 8” ou 10”, dependendo do nível de equipamento. Este último display é o único que possui sensores para interpretar os movimentos da mão, o que facilita o controlo de determinadas funções, para o que também contribui o “slider”, outro comando que facilita gerir certas funções.

O ambiente a bordo é personalizável, com a linha de LED que dá a volta ao habitáculo a poder variar gradualmente entre o azul e o vermelho, passando por todos os tons intermédios. Mas esta fita luminosa não confere apenas mais personalidade ao interior, uma vez que também é utilizada para chamar a atenção ao condutor, piscando em zonas específicas para alertar para determinados perigos.

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Há quatro níveis de equipamento, respectivamente Reference, Style, Xcellence e FR, sendo esta última versão a mais desportiva e usufruindo de suspensões mais duras. O nível de equipamento foi reforçado, com a inclusão do cruise control activo e predictivo, travagem de emergência e sistema para manter o veículo na sua faixa de rodagem.

A Seat iniciará posteriormente o recurso ao travel assist que, além de recorrer a um assistente de faixa de rodagem mais sofisticado, permitirá também um programador de velocidade que funciona até aos 210 km/h, com possibilidade de realizar ultrapassagens.

A app Seat Connect permite controlar à distância o modelo, permitindo verificar se está trancado, se as luzes estão apagadas e o alarme ligado, ou a que velocidade circula, caso o tenha, por exemplo, emprestado ao filho.

Quando chega a Portugal e por quanto?

O novo Seat Leon vai ser apresentado em Abril, em Portugal, para a entrega das primeiras unidades a clientes arrancar em Maio. Neste momento, a definição da gama está a ser negociada com a casa-mãe, mas é natural que, tal como acontecia na geração anterior, o motor 1.0 TSI não seja proposto no mercado português, arrancando a oferta com este mesmo motor na versão de 110 cv.

Os preços serão definidos posteriormente, mas a Seat confirmou-nos o desejo de continuar a propor valores competitivos, pelo que não deverão surgir grandes incrementos face às versões actuais, tanto mais que as versões eTSI vão emitir menos CO2 e isso reflectir-se-á vantajosamente no preço.