É 2020 e, apesar de o skate planador do filme “Regresso ao Futuro ” ainda não ser realidade, o mercado da tecnologia, media e telecomunicações continua vibrante, como revela a consultora Deloitte, na edição do TMT Predictions 2020. Neste estudo, que pode ver aqui, a consultora prevê quais vão ser as tendências para este ano, como já fez no passado.

E o que reserva 2020 para o mundo? Mais acessórios para smartphones (que vão ser melhores); menos serviços de subscrição como o Netflix e mais como o YouTube, no qual há anúncios pelo meio para monetizar a plataforma; robôs como colegas de trabalho; entre outras previsões que já tinham sido feitas. Já ouviu falar que o 5G está a chegar, não é? Este ano ainda não arranca, implementa-se.

Este estudo foi feito “de forma global”, ou seja, aplica-se às tendências mundiais e não diretamente a Portugal, como explicou ao Observador Sérgio do Monte Lee, responsável nacional do setor na consultora Deloitte.

Em relação ao ano anterior, este relatório deixa de fora a preocupação com o tema da cibersegurança e a falta de preparação das empresas nesta área. “[As empresas] aumentaram seguramente [a preocupação com a cibersegurança”, explica Sérgio do Monte Lee sobre a ausência. Contudo, o responsável da consultora, debruçando-se no seu conhecimento sobre o mercado português, afirma que, mesmo assim, as “empresas deveriam estar mais protegidas” por ainda faltar preocupação sobre o tema.

O que é o 5G?

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O 5G é a próxima tecnologia de infraestruturas de telecomunicações. Já se fala há vários anos, mas começou a funcionar em 2019. A China, atualmente, continua a ser dos países que mais tem investido nesta infraestrutura para telecomunicações.

Relativamente a temas que voltam a surgir este ano, como o 5G, o que se prevê para 2020 “é que vai ter um impacto relevante para o consumidor final”. Contudo, para já, as maiores transformações quanto à implementação destas infraestruturas de telecomunicações de alta velocidade estão a acontecer relativamente à implementação nos negócios entre empresas, explica o sócio da Deloitte.

Além dos temas acima, este ano o foco vai também para a “resiliência” da “televisão por antena” (tradicional), que poderá chegar a dois mil milhões de pessoas em 2020, prevendo a Deloitte um aumento do cancelamento de serviços por subscrição como o Netflix.

Os mercados asiáticos optam mais por um modelo gratuito [de consumo de conteúdos] mas com publicidade associada. Com o crescimento deste mercado, os anúncios em vídeo têm um maior peso. Isto tem a ver com o tema da fricção de subscrições. Nos mercados ocidentais, a média está acima dos três [serviços subscritos por pessoa]. Isto já está a criar muita fricção”, diz Monte Lee.

Com o exemplo do Netflix, que tem cada vez mais concorrente, o responsável da Deloitte desvaloriza os impactos que esta mudança pode ter noutra fricção: a pirataria. “O mercado português tem um problema sério de pirataria“, afirma. Contudo, como “os media habituaram o consumidor a não pagar pelo conteúdo” uma “pirataria inconsciente”, diz.

Outro foco das tendências apresentadas é o crescimento dos podcasts, que prevê-se que o mercado aumente 30% em relação a 2019 chegando pela primeira vez a uma valorização acima dos mil milhões de dólres,eos livro áudio, cujo o valor do mercado crescerá 25%  para 3,5 mil milhões de dólares.

2020: O anos em que os mercados que os smartphones criaram crescem

Quanto às expetativas para 2020, é no crescimento do mercado dos smartphones que a Deloitte faz mais afirmações. “O mercado de smartphones gerará uma receita de cerca de mil milhões de dólares em 2020,
impulsionado pelo robusto e contínuo crescimento dos acessórios e negócios paralelos, como a publicidade e apps”, diz a empresa.

Prevê-se que, até ao final de 2020, os acessórios e negócios paralelos representem um volume de negócios equivalente ao da venda de equipamentos, cerca de 500 milhões de dólares”, diz a Deloitte.

A questão não é o facto de serem vendidos mais smartphones, é “o tema da renovação e substituição [de equipamentos] ser o que está a acontecer para 2020”. Ou seja, não uma mudança que fará com que mais equipamentos sejam vendidos, diz o responsável da Deloite. O que vai aumentar é a quota que os acessórios para estes equipamentos representa. E não se trata apendas da venda de mais capas, são as aplicações, porque os smartphones têm agora mais funcionalidades e capacidade para funções ainda mais exigentes (e sim, também jogos mais exigentes).

A vinda da inteligência artificial continua a fazer parte do futuro no qual vivemos e a consultora estima que, em 2020, “um em cada três smartphones terá um chip de inteligência artificial”. “A nova geração de chips de inteligência artificial irá reduzir as frustrações causadas pela falta de conexão à Internet nos smartphones”, afirma a empresa.

Diga olá ao seu novo colega de trabalho: um robô

A previsão da Deloitte para a venda de robôs para fins empresariais é de cerca de um milhão a nível global em 2020. Estes “robôs corporativos” vão ultrapassar o dos “robôs industriais” em unidade já em 2020, e em termos de receita angariada em 2021, estima ainda a consultora.

Apesar de estes números poderem cativar quem gosta de ter um amigo robótico como o R2D2 da “Guerra das Estrelas”, mas assustar quem viu qualquer um dos filmes de “Exterminador Implacável”, em Portugal, não há muito para prever sobre este ponto. “Não devemos ter muitos robôs industriais e grandes operadores logísticos em Portugal”, conta Sérgio do Monte Lee.

Indo ainda mais para o futuro, e além deste estudo, para 2021, a Deloitte também já deixou alguns pontos que poderemos esperar. “Destes temas vamos voltar a falar seguramente do tema de inteligência artificial, porque está numa fase muito embrionária. Estamos num momento de explosão”, diz o responsável da consultora.

Além disso, há um tema que vai continuar a surgir –“vamos falar de forma mais sustentada do tema do 5g”–, até porque é este ano que Portugal também deverá arrancar com este nova infraestrutura de rede.

*Título atualizado na segunda-feira às 12h10.