Vai nascer um novo museu em Portugal. A revelação foi feito pelo radialista António Sala, que em conversa com o Observador garantiu: “Vai nascer o Museu da Rádio e da Comunicação, na Parede [freguesia do concelho de Cascais]”. Posteriormente, também ao Observador, o presidente da Câmara Municipal de Cascais, Carlos Carreira, afirmou que estão a ser desenvolvidos “projetos” para que este museu “fique instalado junto à estação [de comboios] da Parede”, numa “nova instalação” por concretizar.

A ideia de um novo museu surgiu após o radialista, que trabalhou durante vários décadas no meio, em especial na estação Renascença, decidir doar o acervo radiofónico que tem. “Tenho um património de imagens e sons de 53 anos e tenho centenas ou milhares de aparelhos, coisas que vão desde os anos 1920 até aos nossos dias. Num país que às vezes tem pouca memória e guarda poucas coisas, acho que é muito interessante”.

António Sala na Rádio Observador

O acervo de António Sala foi apenas o mote para a criação de um museu que, revelou, não se focará apenas no “passado” nem quererá apenas “contar a história do passado”, até porque “para isso vários”.

É um museu que vai contar a história da rádio em termos mundiais, em termos nacionais de uma forma particular, mas de todas as estações. O maior e melhor museu de rádio que existe em Portugal quanto a mim é o da RTP e da RDP, mas para mim tem uma lacuna: conta apenas a história da rádio e telvisão públicas”, defendeu o histórico radialista.

Para António Sala, faltava assim criar um museu que contasse a história não apenas das emissoras de comunicação públicas mas também de estações privadas. O objetivo será também “mostrar a vitalidade deste meio”, até para combater a ideia generalizada e errada de que é um meio antigo ou antiquado. “Quero que seja um museu muito interativo, que os jovens e as novas gerações quando lá vão possam sentir-se pelo menos seduzidos, e se possível fascinados, com o meio rádio”.

Carlos Carreiras: museu não nascerá no próximo ano e meio

O antigo radialista da Renascença afirmou acreditar que “o concurso público será lançado dentro de semanas” e que o museu nascerá “dentro de muito pouco tempo”. Posteriormente, porém, o presidente da Câmara Municipal de Cascais, o social-democrata Carlos Carreiras, elogiou em declarações à Rádio Observador o “ato generoso por parte do António Sala” mas admitiu que “o processo está um pouco atrasado por responsabilidade nossa, da Câmara Municipal de Cascais”. Isto porque “o local que foi identificado inicialmente era as instalações do antigo Rádio Clube Português, que funcionou na Parede e que é uma referência nacional e local”.

Apesar da intenção inicial da Câmara, as antigas instalações do Rádio Clube Português estão agora a ser utilizadas pelo Clube Nacional de Ginástica e “não foi possível chegar a acordo” com esta associação. O nascimento do museu, contudo, não acontecerá no próximo ano e meio, adiantou Carlos Carreiras: “O tempo de vontade da câmara é muito inferior ao tempo que estas coisas demoram, temos de cumprir um conjunto de procedimentos legais. Diria que é razoável pensarmos que não se realizará ainda neste mandato” do autarca, que termina dentro de um ano e meio, mas “no seguinte”.