O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, anunciou esta quarta-feira uma operação militar “iminente” do Exército da Turquia na província síria de Idlib, sublinhando que se trata da “última advertência” dirigida ao regime de Damasco.

Em reação, o Kremlin já alertou contra a possibilidade de uma intervenção militar da Turquia contras as forças governamentais de Damasco, que contam com o apoio da Rússia.

O aviso de Ancara ocorre após negociações, na terça-feira, entre Moscovo e Ancara que não alcançaram resultados.

“Neste momento estamos a lançar os últimos avisos. A operação em Idlib ‘é uma questão de tempo’. Podemos entrar de repente, numa ‘destas noites'”, disse o chefe de Estado turco durante um encontro com membros do AKP, o partido no poder na Turquia.

A segunda ronda de consultas entre a Rússia e a Turquia, com o objetivo de aliviar a tensão na província síria, terminou na terça-feira à noite sem qualquer declaração oficial.

Mesmo assim, o porta-voz da presidência turca afirmou que, apesar da possibilidade de os contactos continuarem, “até ao momento” as reuniões não alcançaram os resultados desejados pela Turquia.

Para Moscovo, uma eventual operação turca contra a Síria será “sem dúvida a pior das opções, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, durante uma declaração telefónica aos jornalistas.

O porta-voz acrescentou que os contactos com Ancara sobre a questão “vão continuar”.

Para Moscovo, a atuação de Ancara põe em causa o acordo de Sochi, concluído em outubro de 2019 entre a Turquia a Rússia e a Síria e que previa o cessar das hostilidades no noroeste sírio, mas que tem sido constantemente violado.

Neste momento, as negociações entre Moscovo e Ancara pretendem desagravar as tensões entre a Turquia e o regime de Bashar al-Assad.

No plano humanitário, mais de 900 mil pessoas foram obrigadas a abandonar a zona de combates desde o mês de dezembro.

O conflito na Síria já fez pelo menos 380 mil mortos desde 2011.