A EDP registou lucros consolidados de 512 milhões de euros no ano passado, menos 1% do que o verificado em 2018. “Apesar de termos tido prejuízos em Portugal pelo segundo ano consecutivo,estamos comprometidos”, com as metas de descarbonização assumidas pelo país, sublinhou António Mexia.

O presidente executivo da elétrica justifica os prejuízos de 98 milhões de euros em Portugal  com a provisão para o fecho de Sines, para o diferendo com o Estado a propósito da barragem suspensa de Fridão e por causa do baixo nível de produção hidroelétrica que recuperou no final do ano. Outro fator apontado pela empresas são os 221 milhões de euros em impostos e taxas setoriais criados desde 2014 em Portugal.

O lucro recorrente, excluindo os efeitos que a elétrica qualifica de não recorrentes, subiu 7% para 854 milhões de euros. “O lucro mantém-se quase inalterado mas temos resultados recorde ao nível da EDP Renováveis, na EDP Brasil e na comercialização” que são os três focos da companhia, afirmou ainda António Mexia. A elétrica vai propor um dividendo de 19 cêntimos por ação, o que corresponde à distribuição de 81% dos resultados recorrentes.

Apesar da repetição das perdas no mercado português, atribuídas a elementos não recorrentes, e da venda das barragens no Douro, António Mexia fez questão de sublinhar mais do que uma vez o compromisso da empresa com Portugal. “Quero deixar claro o nosso compromisso com Portugal”, dando como exemplos os projetos no eólico offshore, no solar (vão concorrer aos novos leilões), e o solar flutuante (painéis solares sobre espelhos de água).

Central de Sines vai operar enquanto as margens forem positivas

“Estamos comprometidos com o potencial de Sines no hidrogénio verde. E já não vou para as áreas social e cultural onde temos o maior plafond (de verbas)”.  Mas também assinalou que a empresa tem investidos em Portugal mais de dez mil milhões de euros e que espera um retorno adequado para esse investimento. E no caso da central de Sines, que tem o fim anunciado pelo Governo até 2023, a intenção da EDP é manter a operação enquanto ela assegurar uma margem positiva.

Sines trabalhou muito menos horas em 2019 e é provável que faça ainda menos horas este ano, à medida que o imposto sobre o carvão é agravado. “Vamos fazer a operação enquanto as margens o permitirem. Hoje não se justifica outra opção” que não essa.

Num discurso mais suave do que no passado sobre as penalizações legais e regulatórias, o presidente da EDP assinalou ainda que o plano de negócios inclui o que já estava previsto, a diminuição gradual da contribuição extraordinária sobre o setor energético — que em 2019 custou 68 milhões de euros — , à medida que a dívida tarifária cai, e o regresso do mecanismo de equilíbrio de elementos fiscais entre Portugal e Espanha. “Estamos no fundo a trabalhar em tudo aquilo e não prevejo nada de novo”.

Questionado sobre a solução do Governo para baixar o IVA da eletricidade em função do consumo, António Mexia respondeu que a empresa gosta pouco de falar sobre decisões políticas. Mas adiantou que este modelo lhe parece “uma solução socialmente mais justa” e manifestou que a EDP estará pronta, enquanto operador, para implementar a solução, mas avisou também que “as coisas estarão prontas quando estão prontas”.

Acionista chinês: Estão criadas as condições para que operação nos EUA não seja afetada

O presidente da elétrica realçou ainda que no quadro da eletrificação e da descarbonização é preciso refletir sobre onde será colocada “a enorme massa fiscal” que recai sobre a energia e sobre os combustíveis fósseis. Essa é uma questão essencial para a Europa e para o mundo, sublinhou.

António Mexia foi ainda questionado sobre os avisos da administração americana de desconforto sobre a participação acionista chinesa no seu capital. A EDP, respondeu, é um player importante nos Estados Unidos e para o desenvolvimento das renováveis. Já investimos mais de 10 mil milhões de euros no país. O gestor considera por isso que “estão criadas as condições para que o crescimento nesta plataforma prioritária não seja afetado”.

A China Three Gorges tem 21,5% do capital da EDP e é o seu maior acionista e desde que tentou comprar a EDP através de uma oferta pública de aquisição, que entretanto falhou, que as autoridades americanas têm mostrado reservas públicas a esta posição. A última foi uma declaração do secretário da Energia da administração Trump numa recente visita a Portugal.