Uma no cravo, outra na ferradura. A expressão popular é portuguesa, não é britânica, mas adequa-se na perfeição a uma declaração publicada este fim-de-semana pelo príncipe Harry e por Meghan Markle, respetivamente duque e duquesa de Sussex.

A história é contada pelo jornal britânico The Guardian e é o novo capítulo de uma saga que na sexta-feira passada, 21 de janeiro, ganhou novos contornos, quando se soube que o casal foi impedido pela Família Real britânica de utilizar derivações da expressão “real” — como por exemplo realeza — para se apresentar publicamente.

A impossibilidade de utilização de termos como “real” e “realeza” por Harry e Meghan Markle foi uma imposição da Família Real britânica, depois de o casal ter decidido abdicar de títulos reais e financiamento público para ganhar independência financeira, maior liberdade de movimentos e menor obrigação de cumprimento de deveres relativos à Família Real. Foi, também, uma espécie de balde de água fria para o duque e a duquesa de Sussex, que tinham planeado fundar uma organização sem fins lucrativos intitulada “Fundação da Realeza de Sussex”, que terá agora de mudar de nome.

A primeira reação pública de Harry e Meghan Markle à contrariedade foi impassível: uma porta-voz do casal começou por dizer que “o duque e a duquesa de Sussex não planeiam usar a expressão SussexRoyal [Realeza de Sussex] em qualquer território depois da primavera de 2020”. SussexRoyal é precisamente a marca com a qual o casal se vai apresentando no seu Instagram e no seu novo site oficial.

O casal britânico fez depois uma espécie de adenda irritada à declaração inicial, na sexta-feira à noite e no site oficial SussexRoyal. Segundo o The Guardian, Harry e Meghan Markle fizeram questão de incluir na sua reação uma espécie de alfinetada à Família Real, lembrando que quer a “monarquia” quer o “gabinete do Governo” de Boris Johnson não têm jurisdição relativamente à utilização da palavra ‘real’ “fora” do Reino Unido. A declaração mantém que Harry e Meghan não planeiam utilizar oficialmente a expressão ‘real’ para se apresentarem daqui em diante, mas acrescenta a alfinetada que sugere que o casal não seria obrigado a deixar de usar derivações do termo e não seria obrigada a deixar de usar SussexRoyal como marca de apresentação — fá-lo, portanto, por vontade própria.

A 31 de março, o duque e a duquesa de Sussex deixarão de ter deveres reais de representação oficial da Família Real britânica, tornando-se também financeiramente independentes do regime monárquico do Reino Unido.