A Feira de Arte Contemporânea ARCOmadrid, em Espanha, que nesta edição dá maior visibilidade e notoriedade à figura do artista, junta no mesmo espaço, a partir desta quarta-feira, mais de 200 galerias de 30 países, 13 das quais portuguesas.

À 39.ª edição, quase metade das galerias participantes apresentam programas focados na apresentação de apenas um ou dois artistas.

De acordo com o diretor-geral da IFEMA (Feria de Madrid), entidade organizadora da ARCOmadrid, Eduardo López-Puertas, “uma das apostas da nova direção foi dar uma maior visibilidade e notoriedade à figura do artista, daí que se encontre, tanto no programa geral como nos programas comissariados, espaços que apostam na obra de um só artista ou no diálogo entre dois autores”.

Eduardo López-Puertas recordou que esta é “uma linha iniciada em edições anteriores, mas que atinge todo o seu esplendor nesta edição, evidenciando assim um dos traços distintivos da ARCOmadrid em relação a outras grandes feiras internacionais”.

A representar Portugal este ano na feira espanhola estarão 13 galerias, o mesmo número que no ano passado.

No programa geral estão, de Lisboa, a 3+1 Arte Contemporânea, Bruno Múrias, Cristina Guerra Contemporary Art, Filomena Soares, Madragoa, Francisco Fino, Pedro Cera e Vera Cortês e, do Porto, Nuno Centeno e Quadrado Azul.

No programa Diálogos, vai participar a Galeria Miguel Nabinho, de Lisboa, e, na secção Opening, estarão a Lehmann + Silva, proveniente do Porto, e a Balcony de Lisboa, uma estreante na ARCOmadrid.

As galerias portuguesas irão exibir obras de artistas nacionais como Bruno Cidra, Ricardo Jacinto, André Cepeda, Filipa César, Julião Sarmento, João Maria Gusmão e Pedro Paiva, Rui Chafes, José Pedro Cortes, Joana Escoval, Alexandre Farto (Vhils), Daniel Blaufuks, João Louro, Salomé Lamas e Fernão Cruz.

Além disso, há vários artistas portugueses com presenças em galerias espanholas e estrangeiras, entre os quais José Pedro Croft (galeria Helga de Avelar), Pedro Cabrita Reis (Juana de Aizpuru y Kewenig), Fernanda Fragateiro, Carlos Bunga (Elba Benítez), André Romão (García Galería) e Ana Santos (The Goma).

O programa central da ARCOmadrid, habitualmente dedicado a um país convidado, foi este ano desenhado em torno de um tema — “It’s just a matter of time” (“É apenas uma questão de tempo, em português) -, no qual “se observarão práticas artísticas a partir do trabalho do artista [norte-americano de origem cubana] Félix González-Torres [(1957–1996)]”.

Nesta edição regressa a Artis Libris, Feira Internacional do Livro de Artista e Edição Contemporânea, que terá pela primeira vez um fórum.

No programa Diálogos, 10 galerias, selecionadas por Agustín Pérez Rubio e Lucía Sanromán, irão analisar a criação contemporânea com o foco nas artistas mulheres e no conflito de gerações.

O programa Opening, dedicado a projetos e artistas emergentes, inclui 21 galerias, de 14 países, selecionadas pelos curadores Tiago de Abreu Pinto e Övül Ö. Durmusoglu, e que apresentação obras de 36 artistas.

Este ano, pela primeira vez, os visitantes vão poder usufruir de visitas guiadas por profissionais.

Portuguesas à espera de bons negócios apesar de receios

Entre os galeristas portugueses, as “expectativas são altas” e todos “fazem figas” para que no final da feira, no próximo domingo, o balanço comercial seja “positivo” e o menos possível influenciado pelo coronavírus Covid-19.

Esta feira é muito importante para o nosso volume de negócios e também para a nossa visibilidade junto dos clientes”, disse Miguel Nabinho, da galeria com o mesmo nome, à agência Lusa.

Este comerciante de arte considera ser “natural” que o Covid-19 influencie no resultado final da feira, porque “as pessoas evitam viajar como antes” com receio de contactarem com pessoas infetadas.

A expectativa é que corra bem e vendamos o máximo possível”, afirmou Manuel Santos, da Galeria Filomena Soares, acrescentando estar convencido que em Madrid não haverá tantos problemas como os que houve em Barcelona e que levou ao cancelamento de uma importante feira internacional.

A Mobile World Congress (MWC), a maior feira mundial de telecomunicações móveis, cujo início estava previsto para 24 de fevereiro, foi cancelada devido a sucessivas desistências dos participantes face ao receio associado ao novo coronavírus.

“Aqui há muitos estrangeiros, mas não muitos asiáticos como aconteceria em Barcelona”, explica Manuel Santos. O galerista Pedro Cera garante que a ARCOmadrid é “muito importante para as vendas” e tem-se encontrado com “todos os colecionadores que esperava ver”, apesar de “não ter dúvidas” de que algumas pessoas vão ter receio de se deslocar ao certame.

O vírus terá um efeito colateral. Alguma repercussão vai ter sem dúvida, mas se é importante só poderemos ver no final da feira”, afirmou Pedro Cera.

O comerciante Bruno Múrias sublinhou a importância da feira para a “rede de contactos” da empresa e espera “vender muito” num certame em que “os portugueses [se] sentem em casa”.

Muitos colegas estão receosos com a influência do coronavírus, mas espero que não interfira muito de forma negativa nas vendas e nos contactos que vamos fazer”, resume Bruno Múrias.

Da galeria Francisco Pina, Joana Mayer também tem “expectativa alta de vender mais e poder apresentar mais artistas” aos clientes potenciais, acrescentando haver uma preocupação generalizada sobre como vai ser o impacto” na feira do Covid-19.

A visitar a feira em representação da Câmara Municipal de Lisboa esteve esta quarta-feira a vereadora da Cultura e das Relações Internacionais, Catarina Vaz Pinto, que referiu a ligação da ARCOmadrid com a ARCOlisboa, a realizar em maio, e a “enorme presença de galerias portuguesas” na capital espanhola. “É um evento marcante para a arte contemporânea portuguesa e espero que corra bem”, concluiu Vaz Pinto.

Os reis de Espanha inauguram oficialmente na quinta-feira a ARCOmadrid que abriu esta quarta-feira as portas à visita dos profissionais e a partir de sexta-feira ao público.

A Feira Internacional de Madrid (Ifema), que organiza a ARCOmadrid, aumentou nos últimos dias as medidas de higiene em vários pontos do recinto onde a feira tem lugar, disponibilizando saboneteiras sanitárias aos participantes e reforçando os serviços de limpeza das instalações, duas medidas de prevenção contra o coronavírus.