O rei emérito Juan Carlos I tem estado debaixo de fogo após ter sido conhecido que em 2012 doou 65 milhões de euros à sua “amiga íntima” da altura, Corinna Larsen, e ao filho desta, avançou o El País no sábado. As investigações estão a cargo das autoridades judiciais espanholas e suíças pretendem desvendar a origem desta doação. A principal suspeita indica que será proveniente de uma transferência de 100 milhões de dólares (89 milhões de euros) do Governo da Arábia Saudita em 2008.

A transferência de 89 milhões de euros, fruto de um acordo bilateral entre a Arábia Saudita e Espanha e que culminou na entrega da Ordem do Tosão de Ouro ao monarca saudita, está a ser investigada pelo procurador-geral de Genebra. Segundo o Ministério Público suíço, o dinheiro chegou às mãos do rei após passar por testas-de-ferro e uma estrutura offshore, o que poderá significar que foi ocultada uma fortuna maior, segundo escreve o El Confidencial.

Quatro anos depois, foi feita uma “doação” de 65 milhões de euros a Corinna (cinco meses depois do acidente em África e um ano antes de a relação terminar). As razões por detrás da generosa oferta não são conhecidas, mas relação entre o Juan Carlos e o filho de Corinna, no entanto, tem sido questionada.

O nome do jovem Alexander Kyril zu Sayn-Wittgenstein, que até esta semana era desconhecido, começou a estar nas bocas do mundo após ser revelado que recebeu “uma doação”. Segundo a mãe, o rei terá prometido ao jovem, agora com 18 anos, que lhe daria uma prenda pelo seu décimo aniversário, após ter sofrido um acidente durante uma viagem realizada que os três fizeram ao Botswana em abril de 2012. O objetivo seria compensar o jovem por não terem feito o safari prometido.

Segundo o advogado de Corinna Larsen, citado pela agência EFE, a “doação” terá sido motivada pelo “carinho” que o rei sentia por ambos. Informação confirmada por uma fonte próxima do rei, que, em declarações ao El País, garante que o emérito teve um papel marcante na vida do jovem entre 2009 e 2012.

Ainda esta semana, Corinna Larsen garantiu que iria denunciar Juan Carlos e Félix Sanz Roldán, ex-diretor do Centro Nacional de Ingeligencia (os serviços secretos espanhóis), perante as autoridades judiciais inglesas por suspeitas de assédio. Corinna, que terá sido ameaçada em Londres, diz que tais ameaças se devem ao alegado facto de ter na sua posse segredos de Estado, segundo o El Mundo.