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Como está o mundo a combater a COVID-19? E o que vem a seguir? As três teorias de um especialista de Harvard

Este artigo tem mais de 1 ano

Portugal vai adotar medidas pesadas para travar a COVID-19. Há países a fechar os cidadãos em casa, outros apostam na imunidade de grupo. Um especialista de Harvard explica os prós e contras.

Cada país tem seguido uma estratégia para fazer frente à pandemia, desde a quarentena total ao simples distanciamento social
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Cada país tem seguido uma estratégia para fazer frente à pandemia, desde a quarentena total ao simples distanciamento social

Rui Oliveira/Observador

Cada país tem seguido uma estratégia para fazer frente à pandemia, desde a quarentena total ao simples distanciamento social

Rui Oliveira/Observador

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A estradas completamente desertas, algumas famílias a espreitar pelas janelas, as lojas encerradas, as forças de segurança a patrulhar as ruas. Tem sido assim o quotidiano em países como Espanha, França ou Itália, que entraram em quarentena completa na esperança de estancar a propagação da pandemia de COVID-19 pelo mundo. E pode ser em breve o cenário português, caso as medidas do estado de emergência a isso obrigarem.

Nem todos os países seguiram a mesma estratégia. O Reino Unido, por exemplo, continua numa quarentena apenas parcial, em que os funcionários são aconselhados a trabalhar a partir de casa sem frequentarem bares ou restaurantes, embora esses espaços continuem de portas abertas. Nos Estados Unidos, apesar do impedimento de viagens transatlânticas, apenas algumas cidades (como Miami, por exemplo) entraram em quarentena — no resto do país, continua a aconselhar-se apenas o distanciamento social.

Enquanto os países, cada um com a sua estratégia, se preparam para enfrentar um inimigo público mas invisível, um vírus nanométrico que insiste em espalhar-se pelo globo, os especialistas começaram a colocar os olhos no horizonte para descobrirem o que vem a seguir às quarentenas impostas pelo mundo fora.

Um desses especialistas é Miguel Hernán, médico e epidemiologista espanhol e professor de bioestatística na Universidade de Harvard, que utilizou o Twitter para dissertar sobre o que está a ser feito neste momento e o que nos reserva o futuro. Para ele, há três estratégias em cima da mesa, cada uma com as suas vantagens e desvantagens. Conheça-as aqui em baixo.

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Imunidade de grupo. Miguel Hernán adjetiva esta alternativa de “ideal”, mas “improvável de acontecer a tempo”.

A Direção-Geral da Saúde explica que a imunidade de grupo acontece quando uma percentagem significativa da população está vacinada contra uma doença, reduzindo não só o risco de infeção das pessoas que receberam a vacina (a proteção direta), como também o risco de transmitir a doença aos outros, até mesmo aos não vacinados — a proteção direta.

É uma estratégia utilizada na prevenção do sarampo, por exemplo, em que a cobertura vacinal necessária para criar uma imunidade de grupo é de 95% a 98% da população; e na poliomielite e na difteria, em que essa cobertura tem de ser entre os 80% e os 85%. Miguel Hernán indica que esta é uma estratégia “ideal” porque a vacinação é extremamente eficaz na prevenção contra muitas doenças contagiosas.

No entanto, dificilmente pode ser aplicada para conter esta pandemia em tempo útil. A preparação de uma vacina e todos os procedimentos clínicos exigidos para que um fármaco dessa natureza possa ser testado e estudado, tanto em termos de segurança como de eficácia, significam que qualquer solução alcançada entretanto poderá demorar meses ou mesmo anos a estar disponível no mercado para utilização humana.

Levantamento da quarentena. É o que poderá acontecer quando a evolução da doença alcançar o pico e o número de novos casos de infeção pelo vírus SARS-CoV-2 começar a diminuir — “baixar o sombrero“, como Boris Johnson chamou à linha gráfica que demonstra o desenvolvimento da COVID-19 no Reino Unido. Mas a eficácia desta medida, que nunca será muito expressiva, dependerá da forma como as autoridades a impuseram — com ou sem medidas protetoras adicionais.

Primeiro, o cenário menos mau: aquele em que a população sai da quarentena obrigatória, mas recebe ainda assim indicações para seguir algumas medidas de proteção, como o distanciamento social e até quarentena em alguns casos específicos, tal como está a acontecer neste momento em Portugal.

Esse caso pode revelar-se eficaz durante algum tempo, mas “se a estratégia falhar, será necessária uma segunda quarentena” e “entramos num ciclo de quarentenas até que uma percentagem de suficientemente alta de pessoas seja infetada”.

A estratégia? Que os humanos desenvolvam algum tipo de imunidade contra a doença — algo que ainda não se sabe se é possível ou não —, que culminará na mesma lógica que a apresentada no tópico acima. O problema é que isso é “economicamente e socialmente insustentável”.

A outra opção, uma que não deve estar em cima da mesa segundo o epidemiologista espanhol, é o levantamento da quarentena sem qualquer medida de proteção, nem sequer um distanciamento social ou a imposição de quarentenas a algumas pessoas.

Nas projeções de Miguel Hernán, isso faria disparar novamente o número de contágios com o vírus que provoca a COVID-19 e compremeteria uma vez mais a capacidade de resposta dos serviços de saúde dos países — precisamente o cenário que desde cedo se tem procurado evitar: “Isso traz de volta o cenário que as quarentenas estão a tentar evitar: haver milhões de pessoas a morrer sem atenção médica adequada nos sistemas de saúde sobrecarregados”, indicou o médico no Twitter.

Quarentena estratificada. De acordo com Miguel Hernán, este é o cenário em que “a quarentena apenas é levantada em famílias cujos membros são indivíduos saudáveis com menos de 50 anos”. Mas, por outro lado, “as grandes reuniões de pessoas e as viagens são encorajadas, o aperto de mãos e os beijos regressam, as escolas e os negócios voltam a abrir com os funcionários que, não estando doentes nem em perigo de contágio, estão disponíveis para trabalhar”.

Mais uma vez, a ideia da quarentena estratificada é alcançar a imunidade de grupo sem recurso à vacinação, que é uma opção ainda distante no tempo: “O objetivo é que haja o maior número possível de crianças e jovens infetadas de modo a construir essa imunidade de grupo. As famílias com membros mais velhos continuam confinadas sem contacto com outras pessoas, mas as crianças podem viver com outros familiares para não faltarem à escola”, propõe o professor de Harvard espanhol.

As desvantagens desta estratégia são óbvias: o vírus continuaria a correr, o sistema de saúde continuaria a ver-se em mãos com uma doença contagiosa e, se for mal aplicada pelos cidadãos, pode comprometer alguns grupos de risco.

Mais: mantém a mesma dúvida levantada com a estratégia da imunidade de grupo, que é não se saber se os pacientes ficam imunes após contraírem a doença.

Apesar de não haver evidência científica suficientemente robusta sobre esta matéria, o epidemiologista espanhol considera “possível, mas improvável” que essa imunidade não surja após a recuperação: “As evidências sugerem que a imunidade para os quatro coronavírus endémicos (que causam a constipação) é mais longa que a da gripe e que a reinfecção resulta numa doença mais leve”.

As vantagens, no entanto, são tentadoras: “Com uma boa quarentena estratificada, os sistemas de saúde não colapsam. Cada país estabeleceria o limite de idades dos indivíduos que poderiam sair de quarentena”, afirma Miguel Hernán.

Além disso, se esta medida for aplicada apenas depois de ser imposta uma quarentena obrigatória, ela poderá ser particularmente eficaz entre os cidadãos, acredita o bioestatístico: “Depois de uma quarentena completa, as pessoas entendem que há muito em jogo e que as estruturas sociais já estão em andamento. A maior parte de nós ficará orgulhoso para cooperar com uma quarentena estratificada. As pessoas na rua fazem a sua parte ao serem infetadas; e as pessoas dentro de casa fazem-no não sendo infetadas”.

Segundo Miguel Hernán esta estratégia é “provavelmente mais sustentável”, tanto do ponto de vista social como económico. E mais justo, acrescenta, porque “coloca mais responsabilidade no grupo da população que obtém maior benefício” desta medida.

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