O vídeo, divulgado nas redes sociais, não tem mais do que 30 segundos, mas tão cedo não será esquecido. São doentes deitados no chão do serviço de urgência, estendidos sobre lençóis brancos e encostados a uma das paredes do corredor para não atrapalharem a passagem das macas ou dos profissionais de saúde. Ouve-se o som da tosse forte e seca. Dois pacientes têm uma uma garrafa de oxigénio ao lado. E mesmo ali ao lado, a sala de espera sem uma única cadeira vazia. Isto passou-se em Madrid, na sexta-feira, dia 20 de Março, no Hospital Hospital Universitário Infanta Leonor de Vallecas.

O Ministério da Saúde reconheceu que essa “situação” se deveu a um “grande fluxo de pacientes” que nessa noite ocorreu às Urgências, impedindo o atendimento nas “melhores condições”. Um problema que, segundo ainda o ministério, foi corrigido com a criação de “novos espaços dentro das instalações” para que as imagens daquela sexta-feira à noite não se voltem a “repetir”.

Ao jornal El Mundo, uma enfermeira do hospital Infanta Leonor, de serviço no dia 20 de Março, falou numa “avalanche de pacientes” e confirmou que a situação acalmou durante o domingo, depois de os pacientes que estiveram deitados no chão e espalhados pelos corredores, terem sido encaminhados para hotéis medicalizados e outras instituições de saúde.

Também no fim de semana passado, mas no Hospital Severo Ochoa, em Leganés, foram divulgadas imagens de inúmeros doentes com sintomas de Covid-19 a aguardar pelo atendimento médico nos corredores da Urgência. Nesse caso, foi a Câmara Municipal que, antecipando o caos no serviço nacional de saúde, colocou mais de 70 camas no centro desportivo e encaminhou para lá uma parte dos doentes.

Exército encontra idosos mortos em lares

Com 2.694 mortos e quase 40 mil infetados por Covid 19, segundo os últimos dados, em Espanha vão faltando os meios necessários para dar a resposta mais adequada a todos os doentes. “As unidades de cuidados intensivos estão a colapsar, especialmente em Madrid, onde os doentes são colocados nos corredores à espera que haja camas disponíveis”, acrescenta ainda o El Mundo.

Já os serviços de saúde da capital defendem-se das críticas e garantem que a situação vai apresentar sinais de melhoria, já esta semana, com a abertura dos pavilhões de exposição da Ifema (Feira de Madrid), que após uma reconversão temporária do recinto (transformando-se num hospital de campanha) recebeu os primeiros pacientes com Covid-19 esta segunda-feira. O objetivo desta medida é acolher um grande número de doentes com sintomas leves e, assim impedir, que a doença se continue a espalhar. No total, a Ifema vai conseguir acolher até 5.500 pacientes.

Palácio de Hielo transformado em morgue improvisada

Mas não é só a Ifema que alterou a sua atividade para ajudar a combater a Covid-19 em Espanha. Também a pista de patinagem sobre gelo, situada no conhecido centro comercial de Madrid Palácio do Gelo, vai começar a ser utilizada “nas próximas horas” como morgue para armazenar os corpos de pessoas que morreram do novo coronavírus. A solução foi encontrada devido à saturação das casas funerárias que as impede de enterrar os mortos dentro do prazo estabelecido.

A decisão foi tomada, segundo um relatório que a agência Efe teve acesso, “tendo em conta a escassez de recursos para o armazenamento de corpos” numa situação de crise que “envolve um número significativo de mortes por dia, que excede os recursos disponíveis para as instalações” e torna necessário “dispor de instalações adicionais para gerir o armazenamento e subsequente transferência de corpos para o seu destino final”.

Esta segunda-feira, foi a vez da ministra da Defesa, Margarita Robles, declarar à Telecinco que a Unidade de Emergência Militar encontrou “situações extremas” em lares de idosos como consequência do coronavírus. Conforme relatado pelo Ministério da Defesa, a equipa de emergência entrou em residências onde os idosos estavam a viver com os cadáveres de pessoas que morreram de Covid-19. O governo, segundo Margarita Robles, vai ser “absolutamente implacável” com esta atitude. A intervenção dos militares nas casas de repouso tem como objetivo ajudar a combater a Covid-19 através da desinfeção dos espaços e, também, no seguimento do número de idosos mortos em lares. Segundo o jornal El País, já serão mais de 70 os que perderam a vida e das mais de 2.180 mortes ocorridas desde o início da pandemia, 87,5% dos mortos tinham mais de 70 anos .