O ministro Adunto e da Economia, Pedro Siza Vieira, admitiu esta manhã no Fórum TSF a possibilidade do Estado vir a nacionalizar empresas, caso seja necessário para combater as consequências económicas do surto de Covid-19. “O Estado tem ferramentas para nacionalizar empresas e vai usá-las se achar conveniente“, disse o governante. O estado de emergência decretado pelo Presidente da República abre margem a essa possibilidade.

Sobre a TAP, Siza Vieira avisa que o governo “não deixará de usar todos os poderes a seu favor para salvaguardar a posição estratégica” da companhia aérea. Não quis dizer especificamente se admitia vir a nacionalizar a companhia, reiterando apenas que o Estado não deixará de “assegurar a preservação” do valor da TAP.

O governante elogia ainda a postura dos responsáveis políticos nesta crise, considerando que “a estabilidade política e maturidade dos protagonistas políticos” tem ajudado o país a ultrapassar a situação. E se, no caso da política, Siza Vieira diz não estar preocupado com o day after, na economia já está a pensar no pós-pandemia: “O nosso foco primeiro é o da emergência, mas ao mesmo tempo temos de pensar na retoma.”

Siza Vieira rejeita medidas de austeridade após a crise sanitária, avisando que “só se sai desta crise com capacidade de apoiar crescimento da economia”. Para o ministro da economia “pôr austeridade em cima de travão que veio de fora só pode agravar os problemas“. O governo português tem defendido o recurso à mutualização da dívida (as chamadas “coronabonds”) em vez do instrumento favorito da chanceler Angela Merkel, o Mecanismo de Estabilidade Europeu, que é um apoio condicionado a medidas que os Estados têm de adotar — e que podem passar por medidas da austeridade.

O ministro da Economia — que já recebeu propostas da Plataforma de Média Privados e do Observador para que o govero apoio o setor — destaca que “o Governo está atento ao papel da comunicação social e procurará dar uma resposta ao paradoxo com maiores audiências de sempre e as receitas a cair“. E coloca os meios de comunicação no mesmo patamar de outros serviços indispensáveis para o país: “O setor da comunicação social é como o Serviço Nacional de Saúde, as forças de segurança, a Segurança Social, é nestes momentos de crise que certificamos que são essenciais”.

O governante disse ainda que fez pedido à Comissão Europeia para lançar novas linhas de crédito com uma margem de 7 mil milhões de euros. Para que as empresas tenham liquidez, Siza Vieira revela que deu ordens para acelerar “o pagamento de quase 120 milhões de euros” de dívidas a fornecedores.

Siza Vieira destaca ainda que o governo foi mais rápido do que vários outros países a tomar medidas: “Tivemos a primeira infeção no dia 2 de março, dia 12 encerrámos escolas e na semana seguinte decretámos estado de emergência. Nenhum país no mundo fez isto tão cedo.”