É um mercado movimentado. Países de um lado e do outro do mundo empurram-se para comprar equipamentos necessários para o combate à pandemia. E os problemas surgem um pouco por todo o lado, das acusações de pirataria da Alemanha aos Estados Unidos ao material comprado por Espanha retido na Turquia.

Alemanha acusa EUA de “pirataria” e diz que país redirecionou máscaras à “faroeste”

É o mais recente atrito. O ministro do Interior alemão, Andreas Geisel, acusou este sábado os Estados Unidos de terem redirecionado para si mesmo um conjunto de 200 mil máscaras, que iriam servir para proteger a polícia de Berlim — “um ato de pirataria moderna”.

“Consideramos que isto é um ato de pirataria moderna. Não é assim que se lida com parceiros transatlânticos. Mesmo em tempos de crise global, não podemos usar métodos do faroeste”.

Em comunicado, Andreas Geisel explica que as máscaras foram encomendadas e pagas a um fabricante norte-americano, a 3M, mas acabaram “confiscadas” em Banguecoque, na Tailândia. O ministro do Interior diz acreditar que o desvio da encomenda “está relacionado com a proibição de exportação de máscaras decretada pelo Governo dos Estados Unidos” — isto porque Trump ordenou à 3M que priorizasse os americanos no que toca à venda de material de proteção.

Já a empresa a quem a Alemanha comprou as 200 mil máscaras diz não ter “registo de nenhuma encomenda de máscaras da China para a polícia de Berlim”.

Antes, o presidente da região francesa de Provence-Alpes-Côte d’Azur, Renaud Muselier, tinha acusado também os americanos de desviarem um carregamento de máscaras. “Hoje de manhã, na China, os americanos compraram a encomenda francesa em dinheiro logo na pista de descolagem. O avião com destino a França partiu, ao invés, para os Estados Unidos”, apontou, com os jornais gauleses a falarem num pagamento a dobrar e em cash.

Empresa russa que forneceu ventiladores aos EUA foi sancionada por Trump

O anúncio foi feito pelo embaixador russo nos EUA, Anatolij Antonow: “O meu país estende ao povo dos Estados Unidos uma mão solidária”. Tratam-se de 60 toneladas de máscaras e outro material médico, incluindo ventiladores — as imagens do avião a aterrar no aeroporto John F. Kennedy, em Nova Iorque, no dia 1 de abril passaram até na televisão estatal russa.

Segundo o jornal económico RBK, os ventiladores são fabricados pela empresa russa KRET. Esta empresa pertence ao grupo económico estatal Rostec que, desde julho de 2014, está sujeita a sanções norte-americanas. De acordo com a revista Der Spiegel, a entrega do material foi combinada num telefonema entre Vladimir Putin e Donald Trump.

Turquia doou material a Espanha e Itália. Agora, bloqueou um avião com ventiladores comprados pelos espanhóis

Depois de ter doado cinco toneladas de máscaras, fatos e óculos de proteção e gel hidroalcoólico à Espanha e a Itália, a Turquia bloqueou em Ancara um avião com centenas de ventiladores comprados e pagos por várias comunidades autónomas espanholas, como Navarra e Castilla-La Mancha, de forma a reforçar o serviço nacional de saúde.

Foi a própria ministra dos Negócios Estrangeiros de Espanha, Arancha González Laya, a dizê-lo numa conferência de imprensa este sábado: o material foi “confiscado” pelo governo turco depois de o avião fazer escala na capital da Turquia. A carga está retida na Turquia há uma semana.

China cancela encomendas de equipamentos médicos comprados pelo Brasil

Empresas chinesas têm cancelado encomendas de equipamentos e consumíveis médicos feitos pelo Governo central e pelos governos regionais do Brasil sem dar explicações.

Segundo o jornal brasileiro Folha de São Paulo, uma carga de 600 ventiladores chineses comprada por estados da região nordeste do Brasil ficou retida no aeroporto de Miami, nos Estados Unidos, onde fazia conexão aérea e a sua compra foi cancelada pela empresa fornecedora no início da semana, sem qualquer explicação.S egundo Bruno Dauster secretário da Casa Civil do estado brasileiro da Bahia, a retenção do material foi explicada como uma ação que teve “razões técnicas” já que a carga teria outro destino que não foi especificado.

China cancela encomendas de equipamentos médicos comprados pelo Brasil

Na última quarta-feira, o ministro da Saúde brasileiro, Luiz Henrique Mandetta, já havia informado que parte das compras que seriam feitas pelo país de equipamentos de proteção individual para uso na rede de saúde devido ao novo coronavírus foram canceladas após os Estados Unidos terem adquirido um grande volume de produtos da China. O jornal brasileiro informou que outros governos regionais, como os estados do Maranhão e do Pará, têm procurado a embaixada chinesa para pedir ajuda e também para evitar cancelamento de pedidos já realizados.