Já são 33 os casos confirmados de infeção pelo novo coronavírus em Moura, no Alentejo — só uma das pessoas, uma mulher, para já assintomática, tem morada fora do Espadanal, comunidade junto à Estrada Nacional 258, que liga à Vidigueira, onde vivem 59 pessoas de etnia cigana, explicou à Rádio Observador o presidente da câmara, Álvaro Azedo.

Desde que na passada terça-feira um homem, de cerca de 70 anos, apresentou sintomas e deu positivo para Covid-19, toda a comunidade foi testada, bem como os restantes pacientes que costumavam viajar com ele na carrinha dos bombeiros locais até Beja, para fazer hemodiálise. Só uma pessoa desse núcleo, a mulher que “atualmente não revela qualquer tipo de sintomas”, explicou o autarca, deu positivo. Até agora, o balanço vai nos 33 infetados, entre os quais 17 crianças e jovens, mas ainda falta conhecer vários resultados.

INFORMAÇÃOO Serviço Municipal de Proteção Civil de Moura informa que, de acordo com informação das autoridades de…

Posted by Câmara Municipal de Moura on Saturday, April 11, 2020

Desde que se descobriu o foco de infeção, a GNR cercou e montou guarda à comunidade. Se nos primeiros dias houve tentativas de fuga, desde sexta-feira que a situação está mais tranquila. “Nas primeiras horas não foi fácil, houve tentativa de não corresponder ao solicitado, mas depois fomos ajustando a nossa resposta no terreno e desde há dois dias a esta data ninguém sai e ninguém entra”, diz Álvaro Azedo.

A autarquia tem tratado de tudo para que nada falte na comunidade, garante: “A câmara garante o fornecimento de víveres para as pessoas: fazemos as compras, dão-nos o dinheiro, trazemos as compras. Garantimos que as pessoas não precisam de sair do sítio do Espadanal para ter as suas coisas, também trazemos medicamentos. E colocámos termómetros à disposição das pessoas para irem monitorizando o seu estado de saúde também.”

Apesar de, para já, a situação parecer controlada — a autarquia tem comunicado o boletim epidemiológico local e assegura que vai continuar a fazê-lo, apesar das recomendações em contrário da ministra da Saúde —, Álvaro Azedo manifesta preocupações relativamente à fronteira natural do concelho com a vizinha Espanha. “Temos uma fronteira natural no nosso concelho e na região, a GNR tem feito um trabalho importante mas o efetivo não é imenso e nós temos centenas de quilómetros de caminhos. Continuam, obviamente, pessoas a saltaricar de um lado para o outro, aparecem-nos no concelho pessoas que nós nunca vimos. Ainda ontem, apareceu uma carrinha espanhola, com várias pessoas.”

Preocupado face a impossibilidade de isolar devidamente o concelho e proteger os cidadãos, o autarca sugere a intervenção do Exército no local, para o patrulhamento de fronteiras — e revela que já transmitiu a ideia, no passado dia 26 de março, por telefone, a Marcelo Rebelo de Sousa. “Penso que poderíamos colocar o Exército ao serviço da região, deixando-o contribuir para o patrulhamento das fronteiras. Precisamos de mais ajuda.”

Entretanto, ao fim da manhã deste domingo, o Governo anunciou que desenvolveu um conjunto de medidas para apoiar na resposta à pandemia da covid-19 na comunidade do Espadanal.

Em comunicado, o Governo explicou que na sequência da realização de testes de despiste à covid-19, foram confirmados 33 casos no bairro, o que motivou a intervenção do executivo, nomeadamente da secretária de Estado para a Integração e as Migrações, Cláudia Pereira, o secretário Estado da Saúde, António Sales, e o secretário Estado Adjunto e da Defesa Nacional, Jorge Seguro Sanches.

O bairro Espadanal já foi desinfetado e as Forças de Segurança, em articulação com a Autoridade Regional de Saúde (ARS) estão a assegurar as necessidades de alimentação, medicação, receituários e cuidados de saúde enquanto as famílias estiverem em confinamento, esclareceu ainda o executivo.

Além do bairro em Moura, o Governo anunciou também medidas de prevenção no bairro das Pedreiras, em Beja, onde se vai realizar uma ação de desinfeção, durante a próxima semana, com a colaboração da União de Freguesias de Salvador e Santa Maria da Feira.

Os apoios às populações ciganas de Moura e Beja estão a ser prestados em articulação com o Alto Comissariado para as Migrações (ACM), a Administração Regional de Saúde do Alentejo (ARS), e as Câmaras Municipais de Moura e Beja.

Em comunicado, o executivo assegura que se vai manter atento às necessidades das populações mais vulneráveis perante a pandemia, entre as quais algumas comunidades ciganas.

Artigo atualizado às 12h47 com o comunicado do Governo