O presidente do conselho de administração do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, disse esta quinta-feira à Lusa que a nova unidade de cuidados intensivos, em construção, deverá estar a funcionar no início de maio.

“No início de maio, já queria ter lá todos os doentes Covid positivos e os blocos a retomar alguma atividade. Ou seja, retomar a normal atividade do hospital, porque hoje temos alguma certeza de que estamos a tratar de uma emergência, acautelando menos outras emergências”, disse António Taveira Gomes.

Em declarações à Lusa, no âmbito de uma visita realizada esta quinta-feira de manhã às obras da nova unidade de Medicina Intensiva, Taveiro Gomes defendeu “a necessidade de tratar das pessoas que precisam e não podem esperar, mas sem prejuízo de continuar a controlar completamente esta pandemia”. “Devagar – e com as coisas bem organizadas e sustentadas – conseguiremos recomeçar algumas atividades”, frisou.

A nova Unidade de Cuidados Intensivos, com 11 quartos de pressão negativa, ficará concluída em 20 dias, encontrando-se, nesta fase, a meio do processo. O objetivo é responder à “pressão” crescente causada pela pandemia da Covid-19.

Orçada em cerca de 700 mil euros, Taveiro Gomes disse que se pretende construir esta unidade recorrendo ao mecenato, sem necessidade de recorrer a dinheiros públicos, embora nesta fase do processo ainda só esteja assegurada “cerca de metade da verba”.

A Câmara Municipal de Matosinhos já manifestou disponibilidade para, em conjunto com a Unidade Local de Saúde de Matosinhos (ULSM), comparticipar financeiramente, caso não se consiga junto do mecenato todo o dinheiro necessário para a conclusão da obra.

Depois de concluída a nova unidade, o Hospital Pedro Hispano, que serve as populações de Matosinhos, Póvoa de Varzim e Vila do Conde, num total de 320 mil pessoas, passará a contar com 21 camas de cuidados intensivos, o que “dá um rácio de seis camas por 100 mil habitantes”. O objetivo, segundo explicou o responsável, é criar condições de tratamento efetivo de doentes e de segurança para os profissionais.

Taveira Gomes considera que o país “está agora numa fase em que a pressão de tratamento de doentes críticos é crescente”, uma realidade que acontece “na Unidade Local de Saúde de Matosinhos, que inclui o Hospital Pedro Hispano, como em toda rede de medicina intensiva”, razão pela qual foi decidido avançar com este projeto.

A nova Unidade de Cuidados Intensivos terá acesso ao atual Serviço de Medicina Intensiva e ficará instalada no espaço relvado junto à entrada de pessoal do Hospital Pedro Hispano.

Aqui, como noutras áreas, o esforço tem sido muito elevado. A Medicina Intensiva, com a excelente colaboração da UCIP [Unidade de Cuidados Intermédios Polivalente] e do Departamento de Anestesiologia, fica assim mais capacitada para responder a uma procura que se antevê muito elevada”, concluiu Taveira Gomes.

Já numa nota enviada à Lusa, uma das empresas responsáveis pelo novo serviço, a Ventura + Partners, conta que a nova unidade assenta numa construção em “cross laminated timber” (madeira laminada cruzada), sobre a qual assentará uma estrutura revestida a policarbonato, com uma impressão em vinil autocolante.

A empresa refere ainda que “está a avançar com um projeto de ampliação do Serviço de Medicina Intensiva do Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos”, sendo o “objetivo ajudar o Serviço Nacional de Saúde no combate à pandemia covid-19, aumentando a capacidade de internamento de pacientes infetados”.

A nível global, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 137 mil mortos e infetou mais de dois milhões de pessoas em 193 países e territórios. Mais de 450 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 629 pessoas das 18.841 registadas como infetadas. Das pessoas infetadas, 1.302 estão hospitalizadas, das quais 229 em unidades de cuidados intensivos, e 493 foram dadas como curadas.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.