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Os funcionários públicos começaram esta semana a receber aumentos salariais, mas os profissionais de saúde como médicos, enfermeiros e auxiliares são exceção. Segundo avança o jornal Público, estes trabalhadores tutelados pelo Ministério da Saúde não vão conseguir ver para já o acréscimo de 0,3% nos recibos de vencimento por uma questão informática.

Quando questionada pela mesma publicação, a pasta da Saúde não vai longe nas justificações e explica apenas que “não foi possível efetuar a parametrização dos sistemas informáticos no corrente mês”, deixando a garantia de que em maio a situação ficará regularizada para estes profissionais e com retroativos.

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Da parte dos sindicatos, as respostas chegam com insatisfação e apontam para o que entendem ser um valor adicional mínimo. A situação é “inadmissível” para Emanuel Boieiro, dirigente do Sindicato dos Enfermeiros” e “trata-se de um aumento quase homeopático” para Noel Carrilho, presidente da Federação Nacional dos Médicos. “O que é grave é ser preciso estar com muita atenção para se dar por ele, uma vez que não passa dos 0,3%”, acrescenta.

A partir do dia 20 de cada mês os funcionários públicos começam a ver chegar o ordenado às suas contas. Nos próximos dias, o valor virá com um acréscimo de 0,3% para a generalidade dos trabalhadores e de 10€ para as remunerações inferiores a 700 euros — com retroativos a janeiro.

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Esta é a primeira vez desde 2009 que há aumentos generalizados para toda a função pública, sendo que no ano passado assistiu-se a uma atualização na remuneração de base para os 635 euros. Contudo, o valor adicional de 0,3% mereceu críticas de Rui Rio nesta segunda-feira, que defendeu no Twitter que estes aumentos “não podiam acontecer”.

O presidente do PSD recordou que há trabalhadores em lay-off, “a receber só 2/3 do salário, outros atirados para o desemprego e as finanças públicas brutalmente pressionadas pelos gastos que estamos a ter de fazer”.

Em entrevista à rádio Observador, Noel Carrilho, presidente da Federação Nacional dos Médicos, afirmou que este atraso “é uma situação infeliz” porque mostra “alguma falta de preocupação com os trabalhadores do SNS”.

O presidente da Federação Nacional dos Médicos criticou o Ministério da Saúde, dizendo que os médicos já não esperavam nenhuma explicação, uma vez que a ministra tem tido “muita dificuldade em sentar-se com os médicos para tratar daquilo que é importante”. “É necessário valorizar o trabalho médico para atrair os médicos para o SNS, e já o era necessário antes deste surto”, frisou Noel Carrilho.