A Câmara de Mafra reabriu esta segunda-feira as praias para desportistas individuais, mas impôs limites de tempo para evitar o risco de contágio e a aglomeração de surfistas nas praias da única Reserva Mundial de Surf da Europa.

“Como há muita afluência, achámos que devíamos regular o uso das praias, para não existirem distúrbios”, explicou à agência Lusa o presidente deste município do distrito de Lisboa, Hélder Sousa Silva, na sequência do plano de desconfinamento do Governo relativo à pandemia da Covid-19.

A autarquia afixou cartazes à entrada das praias a informar que estas estão “abertas só para desportos individuais”, sendo proibido estender toalhas.

Mesmo para desportistas, o município decidiu “condicionar o número de vezes por dia” a apenas uma sessão diária.

Os praticantes da pesca dispõem de 120 minutos por dia, os de surf de 90 e os de caminhada de 60 minutos.

Os desportistas devem frequentar as praias de modo individual, e não em grupo, e manter a distância social mínima de dois metros.

As normas vigoram até 15 de junho, quando começa a época balnear no concelho.

As praias entre a Empa e São Lourenço, no litoral do concelho de Mafra, constituem a única reserva mundial de surf da Europa, com sete ondas de classe mundial, surfadas apenas por profissionais, numa distância de apenas 13 quilómetros.

Ribeira d’Ilhas é uma das praias do concelho mais conhecidas a nível mundial pelos surfistas.

O autarca já tinha alertado para a dificuldade de controlar banhistas nas praias devido à pandemia.

Em Mafra, pondera distinguir praias para surfistas e outras para banhistas para evitar a concentração de pessoas.

“Provavelmente teremos de reencaminhar as escolas de surf para praias sem banhistas”, disse.

Hélder Sousa Silva alertou também para a falta de nadadores-salvadores, por insustentabilidade financeira dos concessionários de praia, muitos dos quais têm negócios de bar e restaurante à beira-mar, e anunciou um apoio adicional para os concessionários de praias.

Mafra regista 99 casos de infeção confirmados, dos quais 35 permanecem ativos, 55 estão recuperados e nove morreram, de acordo com o último boletim epidemiológico divulgado pela câmara.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de Covid-19 já provocou mais de 247 mil mortos e infetou mais de 3,5 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Mais de um milhão de doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 1.063 pessoas das 25.524 confirmadas como infetadas, e há 1.712 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.