Em entrevista à Rádio Observador, o ex-Presidente do Governo Regional da Madeira, garante que vai apoiar o líder Miguel Albuquerque na corrida a Belém. O apoio seria dado numa perspetiva “nacional”, porque segundo Alberto João Jardim, “só por um grande golpe de ilusionismo é que se poderia dizer que o candidato do Secretário Geral do Partido Socialista é o candidato do centro direita”.

Para Jardim, este é o “momento importante” para o PSD se “demarcar da política seguida por António Costa”, e também do candidato a Belém escolhido pelo Secretário-Geral do PS.

“Não vejo como Rui Rio iria perante o país e como líder do maior partido da oposição, e depois das acusações internas que lhe fizeram de excessiva aproximação ao PS, pode apoiar o candidato do Partido Socialista”, disse Alberto João à Rádio Observador, isto se aparecer um candidato da área do PSD com o “peso” de Miguel Albuquerque, Presidente do Governo Regional. Nesse caso, a Direção Nacional do PSD não teria condições para “retirar o apoio ao candidato nacional e dar ao candidato do Secretário-Geral do PS”.

Para Jardim, este é o momento ideal para Rui Rio mostrar a sua autonomia e o “carácter patriótico da sua oposição” e não pactuar com um “candidato que é a escolha oficial do Secretário-Geral do Partido Socialista”. Na entrevista, Alberto João Jardim acusa ainda Marcelo Rebelo de Sousa de não ter tido “pudor” em aproximar-se dos adversários de Rui Rio, nas duas vezes em que a sua liderança foi a votos.

Caso Miguel Albuquerque não avance – o que “seria frustrante”, reconhece – Jardim não deixou margem para dúvidas e admitiu que apoiaria o candidato que a Direção Nacional do PSD “orientasse” mas não o candidato do Secretário-Geral do PS, Marcelo Rebelo de Sousa, que acusa de não querer “descolar” do Primeiro-Ministro. Estratégia que já o terá levado a “perder apoios” dentro do próprio PSD. E deixou de ser um nome “unânime” nos sociais-democratas.

A propósito da eventual candidatura de Ana Gomes, Jardim é claro: “Nunca apoiarei essa senhora porque quis destruir a zona franca da Madeira causando três mil desempregados”, admitindo ainda que mais depressa “votava num candidato do Partido Comunista”. Já sobre Ventura, Jardim deixa a pergunta: “Mas o Benfica também concorre às presidenciais”? E admite não estar preocupado. Nem ele nem o partido.

O Presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque, admitiu na quarta-feira candidatar-se à Presidência da República, revelando que foi sondado por várias pessoas que o apoiam numa eventual candidatura. Em entrevista à Rádio Observador, Miguel Albuquerque, que é também o líder do PSD Madeira, disse que uma eventual candidatura “é uma hipótese que nunca é de descartar”, uma vez que não há no horizonte um candidato de centro-direita, situação que Miguel Albuquerque diz ser “um pouco bizarra”.

Na mesma entrevista, deixou duras críticas ao atual chefe de Estado, bem como ao Governo de António Costa. “Esta situação de unanimismo, de circo que está montado, este namoro entre o primeiro-ministro e Presidente não é bom para Portugal. Tem de haver um escrutínio. E têm de se discutir as questões fundamentais”, disse, considerando que as eleições são essenciais para o debate político e para o futuro dos portugueses. Albuquerque foi ainda mais longe, acusando Marcelo de ser uma “bengala” do Governo.

“Se se mantiver o apoio de António Costa ao atual Presidente, o centro-direita reformista fica sem candidato e isso é o pior que pode acontecer neste momento ao país”, concluiu.