Cientistas sugerem num estudo esta quinta-feira publicado que a nicotina, substância não carcinogénea presente no tabaco, contribui para que o cancro no pulmão se dissemine no cérebro, formando metástases.

Uma equipa de investigadores da Faculdade de Medicina de Wake Forest, nos Estados Unidos, examinou 281 doentes com cancro do pulmão e descobriu que os fumadores de cigarros — cujo número não é indicado — tinham uma incidência significativamente mais alta de cancro do cérebro.

Ao usarem o rato como modelo numa experiência de laboratório, a equipa verificou que a nicotina aumenta a formação de metástases no cérebro, ao atravessar a barreira hematoencefálica alterando os microgliócitos, células imunes do Sistema Nervoso Central.

Os cientistas concluíram na mesma experiência que a substância natural partenolídeo bloqueia as metástases cerebrais induzidas nos ratos pela nicotina.

O partenolídeo existe na matricária, planta herbácea originária do sudoeste da Europa que se encontra frequentemente nas margens dos rios e rochedos e à qual são apontadas propriedades que permitem diminuir a frequência, intensidade e duração das enxaquecas.

Os autores do estudo consideram que o uso desta substância natural pode vir a ser promissor para tratar com mais eficácia e mesmo evitar a formação de metástases no cérebro, em particular em doentes com cancro do pulmão que fumaram ou continuam a fumar.

Atualmente, as metástases no cérebro nestes doentes são tratadas com radioterapia.

Os resultados do estudo foram publicados na revista médica Journal of Experimental Medicine e divulgados em comunicado pelo centro médico e académico Wake Forest Baptist, ao qual pertence a Faculdade de Medicina de Wake Forest.