O Reino Unido afirmou esta sexta-feira que os progressos nas negociações com a União Europeia (UE) “continuam limitados” e pediu que as conversações sejam “intensificadas e aceleradas” para permitir um acordo até ao final do ano.

“Os progressos continuam limitados, mas o tom das conversações foi positivo”, afirmou o negociador britânico, David Frost, num comunicado, acrescentando que “as negociações vão continuar” e Londres continua “empenhada num resultado bem sucedido”.

Estamos num momento importante das conversações, estamos perto de atingir os limites do que podemos alcançar através deste formato de rondas formais à distância. Para alcançarmos progressos é claro que temos de intensificar e acelerar o nosso trabalho”, afirmou ainda o negociador britânico, no final da quarta ronda de negociações, realizadas por videoconferência devido à pandemia associada à Covid-19.

A UE e o Reino Unido lançaram na terça-feira uma quarta ronda negocial, de uma semana, por videoconferência, para tentar chegar a um compromisso sobre a relação após a saída do Reino Unido do bloco comunitário, a 31 de janeiro passado.

Segundo David Frost, as autoridades britânicas estão “dispostas a trabalhar duramente para ver se é possível chegar a acordo em breve, pelo menos quanto às grandes linhas de um acordo equilibrado, cobrindo todas as questões”.

Um tal acordo tem naturalmente de acomodar a posição bem conhecida do Reino Unido em relação ao chamado ‘level playing field’, às pescas e a outras questões difíceis”, afirmou.

Os representantes do setor das pescas britânico opõem-se à vontade de Bruxelas de incluir no acordo comercial o acesso às águas britânicas das frotas europeias, nas mesmas condições de que gozam atualmente.

Com a falta de progressos nas negociações até ao momento, as atenções vão concentrar-se na mini-cimeira que se vai realizar até ao fim de junho entre o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel.

O ministro do Conselho de Ministros britânico, Michael Gove, afirmou na quinta-feira que as duas partes “têm muito tempo” para chegar a acordo, considerando que a presidência alemã da UE, que começa a 1 de julho, permitirá “a liderança necessária para chegar a acordo”.

A avaliação que Londres faz deste quarta ronda de negociações coincide com a do negociador da UE, Michel Barnier, que afirmou que “não houve progressos significativos”.

Segundo o negociador-chefe da UE para as futuras relações de Bruxelas e Londres pós-‘Brexit’, ainda existe “um longo caminho a percorrer” nestas discussões, sendo que entre os assuntos com mais divergências estão o acesso equilibrado a ambos os mercados, a governança da futura parceria, a proteção dos direitos fundamentais e o setor das pescas.

A dificultar estas negociações está, de acordo com o responsável francês, o facto de os “parceiros britânicos se estarem a distanciar” do Acordo de Saída do Reino Unido da UE.

Michel Barnier, que falava em conferência de imprensa, em Bruxelas, disse esperar que, “no final de junho”, seja possível retomar as negociações presenciais: “Assim poderão correr melhor porque será mais fácil e efetivo”.

O período de transição, durante o qual o Reino Unido continua a aplicar as regras europeias, termina a 31 de dezembro próximo, a menos que Londres peça até ao final deste mês um prolongamento de um ou dois anos.