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Berto tirou o chapéu mas a melhor semana do ano acabou sem a vitória (a crónica do V. Setúbal- Santa Clara) /premium

V. Setúbal fechou um PER para resolver uma dívida de 25 milhões mas a comemoração da melhor semana do ano não trouxe a quebra de jogos sem vencer após novo empate frente ao Santa Clara (2-2).

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Cryzan fez o golo do empate a três minutos do final: Santa Clara começou a ganhar, esteve a perder mas ainda empatou frente ao V. Setúbal

LUSA

Cryzan fez o golo do empate a três minutos do final: Santa Clara começou a ganhar, esteve a perder mas ainda empatou frente ao V. Setúbal

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O V. Setúbal foi a primeira equipa a quem tocou a “fava” entre o “brinde” do regresso da Primeira Liga depois da pandemia. Um “brinde” que hoje muitos clubes contestam, olhando para a evolução da situação epidemiológica, utilizando como exemplo mais frequente as comparações entre os espaços fechados como o Campo Pequeno que pode ter eventos com 2.000 pessoas e os estádios com 30 a 50 mil cadeiras que têm de estar vazios. Ainda assim, havia algo, com ou sem público, que não mudaria: as viagens à Madeira teriam de ser feitas em charters. Foi aí que os sadinos tiveram a sua parte de azar dentro da sorte de voltar a haver futebol em Portugal.

O charter de Berto custou mais 18 mil euros mas fez a diferença por 19 centímetros (a crónica do Marítimo-V. Setúbal)

A tentar fugir a uma situação financeira complicada, o clube conseguiu garantir as verbas em falta até ao final da temporada relativas aos direitos de transmissão televisiva (e no caso dos sadinos, como em vários outras equipas da Primeira Liga, corresponde a 50% ou mais do orçamento) mas teve de desembolsar mais 18 mil euros aos 12 mil que já tinha pago por antecipação para fazer a viagem até ao Funchal. No final, e depois de uma primeira parte abaixo do esperado, a reação que chegou com a saída de Berto para o campo acabou por render ainda um ponto (injusto) com o golo de Guedes a empatar o encontro com o Marítimo. Dias depois, nova “vitória”.

Apesar do triunfo do Portimonense frente ao Gil Vicente, que aproximou os algarvios dos lugares da permanência, o V. Setúbal garantiu que, a nove jornadas do final, tem dez pontos de avanço em relação à despromoção – uma vantagem confortável para evitar uma descida que seria nefasta para o clube, mesmo tendo em conta que a nível de resultados é a fase menos conseguida da temporada – e surge na luta por uma posição na primeira metade da tabela. Mas também fora de campo somou outro triunfo, que vale bem mais do que três pontos. “Após muito trabalho, empenho e resiliência, o Plano Especial de Revitalização foi aprovado com sucesso. Com base na seriedade e no cumprimento, assegurámos um instrumento fundamental para a reestruturação do clube, sem colocarmos em causa a gestão corrente”, anunciou o conjunto agora liderado por Paulo Gomes.

O sonho de Trincão e a crença da equipa coragem – que acabou a agradecer via Zoom (a crónica do Santa Clara-Sp. Braga)

Ou seja, e num encontro que juntou 74,65% dos credores de dívida dos sadinos, foi aprovado por 99,98% um PER que permitirá ir saneando os 25 milhões de passivo acumulado. Depois do ponto conseguido na Madeira, não podia haver melhor notícia para o clube. Seguia-se o Santa Clara, grande surpresa da jornada anterior. E, no contexto supracitado, a possibilidade de quebrar uma série de sete jogos consecutivos sem ganhar na Primeira Liga. Que não aconteceu num jogo onde começou a perder, esteve a ganhar e não foi além do empate (2-2) mas que valeu por ser mais um ponto numa semana importante para o clube e frente a um adversário açoriano que mais uma vez provou ser um dos conjuntos extra “grandes” com mais capacidade competitiva desta Primeira Liga.

Ficha de jogo

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V. Setúbal-Santa Clara, 2-2

26.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Bonfim, em Setúbal

Árbitro: Cláudio Pereira (AF Aveiro)

V. Setúbal: Makaridze; Berto, Jubal, Artur Jorge, Sílvio; Nuno Valente (Éber Bessa, 60′), José Semedo, Leandro Vilela (Montiel, 89′), Mansilla (Antonucci, 60′); Carlinhos e Guedes (Zequinha, 71′)

Suplentes não utilizados:  Lucas Paes, Mano, André Sousa, Pirri e Leandrinho

Treinador: Júlio Velázquez

Santa Clara: Marco; Sagna (Rafael Ramos. 81′), João Afonso, César, Mamadu Candé; Rashid (Nené, 75′), Anderson Carvalho (Zé Manuel, 81′), Lincoln, Zaidu (Diogo Salomão, 68′); Thiago Santana (Cryzan, 75′) e Carlos Júnior

Suplentes não utilizados: André Ferreira, João Lucas, Costinha e Francisco Ramos

Treinador: João Henriques

Golos: Thiago Santana (38′, g.p.), Berto (45+4′), Antonucci (78′) e Cryzan (87′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Carlinhos (2′), Semedo (54′), Sagna (66′), Berto (83′), Leandro Vilela (88′), Artur Jorge (90+1′) e Zequinha (90+3′)

Com José Semedo a abrir na direita como falso lateral direito para dar outra liberdade a Berto mais na frente do corredor, Sílvio a ocupar espaços mais interiores quando Jubal desenhava uma linha de três defesas e Carlinhos um pouco mais recuado para ter bola perante a ausência de Éber Bessa, o V. Setúbal deu sinais no arranque de querer agarrar no jogo mas cedo o Santa Clara começou a colocar o encontro mais a seu jeito, entre dez minutos marcados por um amarelo logo a abrir, dois cortes sem nexo de César no sentido das duas balizas e um problema físico do guarda-redes Makaridze. Aí, Carlos Júnior criou o primeiro sinal de perigo, com um remate à entrada da área a ser cortado por Artur Jorge para canto (9′); no seguimento, César acertou de cabeça na trave (10′).

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do V. Setúbal-Santa Clara em vídeo]

Os visitados tentavam chegar em posse ao último terço contrário mas a ligação meio-campo/ataque revelava-se sempre gripada, exceção feita aos momentos em que Berto recebia a bola ao espaço e conseguia partir 1×1 para desequilibrar no corredor direito. Também por isso, os açorianos colocavam-se de forma confortável a encaixar nesse jogo olhando sempre para as transições ofensivas sobretudo pelo lado esquerdo e beneficiando da capacidade técnica de Lincoln e dos movimentos de Carlos Júnior para conseguir aproximações com relativo perigo à baliza de Makaridze, como uma em que Mamadu fletiu para dentro e arriscou o remate mas ao lado (21′). Que os jogadores estavam a dar tudo, ninguém tinha dúvidas. Que o jogo estava aborrecido, também não.

Era no erro individual e coletivo, ou na capacidade para fugir ao mesmo, que poderia surgir algo novo que agitasse o encontro. E ele lá surgiu, da forma mais comprometedora possível: depois de já ter estado em três jogadas onde se atrapalhou quando ia arrancar para o duelo 1×1 na esquerda, Mansilla desceu até à sua área para ajudar mas acabou por fazer uma grande penalidade desnecessária sobre Carlos Júnior (que tinha perdido o ângulo para visar a baliza de Makaridze ao falhar a abordagem na receção). Thiago Santana, à semelhança do que já tinha acontecido na semana passada com o Sp. Braga, não perdoou e inaugurou o marcador antes do intervalo (38′).

Mesmo com pouco mais de 30% de posse, o Santa Clara vencia. E vencia bem. E sairia a vencer bem se Marco não tivesse um lance onde esteve mal: no único remate do V. Setúbal (Carlinhos teve uma tentativa que passou tão longe que contou para a estatística e pouco mais), Berto recebeu de forma orientada com o peito, apercebeu-se que o guarda-redes contrário tinha ficado a meio caminho e fez um grande golo de chapéu já depois dos descontos que tinham sido concedidos para o intervalo, no melhor lance da primeira parte – daqueles que valeria a pena comprar se estivessem à venda… – que voltou a ter o protagonista de sempre na formação sadina (45+4′). 

Se a primeira parte não tinha sido propriamente um grande jogo, o arranque do segundo tempo não trouxe muitas alterações a essa tendência. Com menos bola, o Santa Clara parecia chegar com outra destreza ao último terço adversário; com mais posse, o V. Setúbal tinha dificuldades em encontrar espaços passando a barreira feita por Rashid e Anderson Carvalho no meio-campo. Nos primeiros 15 minutos, Guedes, num cabeceamento após centro de Sílvio da esquerda, teve a única boa oportunidade mas viu a tentativa ser bem travada por Marco (58′). Tudo o que pudesse alterar o encontro teria de sair do banco e começou então a dança dos treinadores, agora com a nova possibilidade de fazer cinco alterações em três momentos ao longo da partida. E alterou mesmo.

Antonucci, que tinha sido titular na jornada de regresso na Madeira e que trocara esta tarde na posição de ala esquerdo com Mansilla, aproveitou um cruzamento de Éber Bessa que atravessou toda a área sem qualquer corte e desviou sozinho ao segundo poste para a primeira vantagem dos sadinos no encontro, mudando a partir daí o jogo com os visitados com linhas mais recuadas aproveitando a mobilidade de Berto, Antonucci e Zequinha na frente e os visitantes a tentarem colocarem mais unidades na frente que serviriam para chegar ao empate na sequência de um canto, com o também suplente Cryzan a aproveitar um ressalto na área para fazer o empate final (87′).

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