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O charter de Berto custou mais 18 mil euros mas fez a diferença por 19 centímetros (a crónica do Marítimo-V. Setúbal) /premium

V. Setúbal foi de charter para a Madeira, teve falta de comparência durante meia parte e apareceu após entrada de Berto frente a um Marítimo que passou da goleada ao empate entre golos anulados (1-1).

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Berto entrou no início da segunda parte para o lado direito do ataque do V. Setúbal e fez a assistência para o golo do empate

LUSA

Berto entrou no início da segunda parte para o lado direito do ataque do V. Setúbal e fez a assistência para o golo do empate

LUSA

“Estou muito contente e orgulhoso pela forma como os jogadores trabalharam nestas quatro semanas e meia”, dizia Júlio Velázquez no lançamento da deslocação do V. Setúbal à Madeira. Uma viagem que foi tudo menos fácil e até barata: primeiro, porque ninguém sabia quando poderia voltar o futebol; depois, porque numa instância inicial tudo apontava para que os insulares jogassem no Continente (apesar de terem um estádio de nível 1, o mais alto); por fim, porque existia a obrigatoriedade de utilização de um charter, entre vários cuidados sanitários.

Durante algum tempo, os responsáveis sadinos acreditaram que a Liga ainda podia apoiar estas deslocações mais “especiais” à Madeira, nomeadamente que ajudaria nos 18 mil euros a mais que foram desembolsados além dos 12 mil que tinham sido pagos. Custou, literalmente. Mas os sadinos entraram só no jogo na segunda parte, num momento que coincidiu com a entrada de Berto. Quase até ao final, pareceu pouco mas revelou-se suficiente.

Como dizia Sousa, antigo lateral de Benfica, FC Porto, Sp. Braga ou Belenenses que é hoje comentador da SportTV, nunca é fácil jogar na Madeira. Pelo bafo, pelo clima, há qualquer coisa de diferente num estádio que durante anos a fio ficou conhecido como o Caldeirão. Ainda assim, os resultados dos maritimistas em casa não eram o melhor cartão de visita: numa época atípica que levou à troca de Nuno Manta Santos por José Gomes, a equipa tinha só três vitórias em 12 jogos como visitada e levava uma série de três derrotas consecutivas antes da paragem por causa da pandemia. Esta quinta-feira, parecia outra equipa. O bafo, ou “abafo”, foi fora e dentro de campo até a equipa dar o “bafo” final em termos físicos e ficar à mercê da velocidade de Berto para não passar do empate (1-1).

Ficha de jogo

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Marítimo-V. Setúbal, 1-1

25.ª jornada da Primeira Liga

Estádio do Marítimo, no Funchal

Árbitro: Manuel Oliveira (AF Porto)

Marítimo: Charles; Bebeto, Zainadine, René Santos, Rúben Ferreira; Moreno, Bambock; Correa (Nanu, 85′), Xadas, Daizen Maeda (Erivaldo, 79′) e Rodrigo Pinho (Joeal Tagueu, 68′)

Suplentes não utilizados: Amir, Getterson, Kerkez e China

Treinador: José Gomes

V. Setúbal: Makaridze; Sílvio, Jubal, Pirri, André Sousa; Leandrinho, Éber Bessa (Mansilla, 72′); Zequinha (Berto, 46′), Carlinhos, Mirko Antonucci (Leandro Vilela, 72′) e Guedes

Suplentes não utilizados: Lucas Paes, Artur Jorge, Nuno Valente e Montiel

Treinador: Júlio Velázquez

Golos: Correa (11′) e Guedes (82′)

Ação disciplinar: cartão amarelo a Rodrigo Pinho (49′), Correa (54′), Rúben Ferreira (77′) e Carlinhos (90+7′)

Demorou apenas quatro minutos até haver uma finalização, com Rúben Ferreira a descer pelo corredor esquerdo, a cruzar e o japonês Maeda, a jogar muitas vezes de fora para dentro, a desviar sem perigo. Mais dois minutos, mais uma oportunidade, mais um recurso em ação: numa bola parada batida na esquerda por Xadas (com o arco inverso ao habitual), Rodrigo Pinho obrigou Makaridze a defesa apertada antes da recarga com perigo de Zainadine que bateu na cara de André Sousa. O Marítimo estava com uma dinâmica e com um fio de jogo melhor do que numa partida de pré-temporada. Não, melhor: o Marítimo estava com uma dinâmica e com um fio de jogo como poucas vezes demonstrou esta temporada. E o V. Setúbal não conseguia ligar mais do que três passes.

Júlio Velázquez, de pé, chamava a atenção para os posicionamentos. Com gestos, com palavras, já com berros a certa altura. Parecia estar a antever o inevitável, que surgiu ainda dentro do primeiro quarto de hora: cruzamento em arco de Correa na direita que não chegou a ter desvio de Rodrigo Pinho e 1-0 logo aos 11′. O técnico espanhol ia mostrando ainda mais o desagrado e percebeu ali que aquele lance era a pior coisa que podia acontecer a uma formação que não tinha ainda entrado no jogo mas por pouco não viu os sadinos sofrerem o segundo golo, com o remate de Correa a passar perto da baliza de Makaridze. O Marítimo “abafava” por completo o adversário.

[Clique nas imagens para ver os melhores momentos do Marítimo-V. Setúbal em vídeo]

O ritmo depois abrandou. Os insulares tinham o controlo total do encontro mas não conseguiam chegar com tanta facilidade às zonas de finalização, optando por um jogo de circulação entre corredores que mostrava também as fragilidades de um V. Setúbal que precisava de ter mais presença de Éber Bessa e Carlinhos nos espaços entre linhas mas que continuava a falhar passes atrás de passes mesmo tendo subido as suas linhas de pressão para tentar condicionar a primeira fase de construção do adversário. Bebeto, num remate de pé esquerdo que passou a rasar o poste da baliza dos visitantes (34′), e Correa, a atirar à figura de Makaridze (35′), tiveram as duas únicas oportunidades até ao intervalo. 45 minutos depois, Charles apareceu nas imagens… a ir para o balneário.

“Rúben, és igual aos outros”, dizia o árbitro Manuel Oliveira quando Rúben Ferreira pedia cartão amarelo para Zequinha por uma entrada mais dura. Um jogo sem público não passa disso mesmo, um jogo. Não é futebol, ou o futebol que conhecemos. Mas também têm estes pormenores onde é possível ouvir tudo o que se passa no relvado. Um relvado onde, apesar do que dizia o portuense, ninguém estava a ser igual: o Marítimo estava muito melhor do que antes da pandemia, o V. Setúbal estava muito pior do que antes da pandemia. A entrada de Berto ao intervalo, que conseguiu os remates com mais perigo da equipa no segundo tempo, não alterou a lógica do jogo de imediato mas viria a ser determinante para um resultado final que poucos poderiam antever durante 80 minutos.

O extremo formado no Benfica com passagens por Inglaterra e Polónia teve a tentativa mais perigosa aos 52′, num remate ao lado da baliza de Charles já depois de Zainadine ter acertado na trave de livre direto. Podia ter sido um sinal para haver mais V. Setúbal mas continuou a ser o Marítimo a ameaçar de forma de constante a baliza de Makaridze, incluindo com dois golos que viriam a ser anulados: Rodrigo Pinho aproveitou uma bola solta na área para marcar mas estava em posição irregular no início do lance e, mais tarde, René Santos apareceu sozinho após um canto a fuzilar mas a jogada foi também travada por uma mão de Marlos na disputa inicial pela bola.

As ideias que Velázquez ia tirando no bloco de notas que guardava no banco nunca foram suficientes para mudar a tendência e foi José Gomes a mostrar sinais de impaciência ao ver a equipa tão próxima do golo da tranquilidade tendo sempre esse objetivo adiado de forma consecutiva. Tal como o homólogo espanhol na primeira parte, parecia que estava a adivinhar o que poderia acontecer. E bastou mais uma arrancada de Berto, que antes atirara de cabeça ao lado, para o empate chegar mesmo por Guedes (82′), que só teve de aparecer no meio dos centrais na pequena área 19 centímetros atrás do último defesa maritimista (antes, o golo de Rodrigo Pinho tinha sido anulado por… 26 centímetros) para encostar e fazer um resultado que divide os pontos mas em nada altera uma narrativa onde os insulares foram melhores sem recompensa e Berto justificou os 18 mil euros a mais do charter.

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