Pelo menos 20 soldados indianos morreram esta segunda-feira no confronto entre os exércitos indiano e chinês nas áreas fronteiriças disputadas dos Himalaias. O território é disputado há anos, nas regiões de Ladakh e Arunachal Pradesh, mas há 45 anos que não eram registadas baixas nesta contenda que reacendeu nas últimas semanas. O momento surge no meio de uma tentativa de descompressão deste conflito.

O The Guardian dá conta de “um confronto violento” na noite de segunda-feira, citando um comunicado do exército indiano divulgado esta terça-feira. Inicialmente tinha sido indicada a existência de apenas três mortos, na sequência deste confronto, mas o número foi agora atualizado com o exército a dar conta de mais 17 baixas entre as tropas indianas. “Ficaram gravemente feridas quando estavam destacadas no local isolado e expostas a temperaturas negativas, em territórios de elevada altitude, não tendo resistido aos ferimentos”, avança o mesmo comunicado.

E diz também que houve baixas dos dois lados, embora as autoridades chinesas ainda não tenham confirmado a informação. Fontes indianas estão, no entanto, a afirmar que no lado chinês terá havido 45 mortos neste mesmo conflito. A China já veio, entretanto, responsabilizar o lado indiano pelo sucedido na noite de segunda-feira, com Zhang Shuli, comandante do exército chinês, a afirmar que as “forças indianas cruzaram a “Linha de Controlo e deliberadamente lançaram ataques provocadores, fazendo com que ambos os lados se envolvessem num intenso conflito”.

Já o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Índia foi perentório a culpar a China que acusa de ter ignorado o “acordo de respeitar a Linha de Controlo [que demarca a fronteira montanhosa entre a China e a Índia] no vale de Galwan”, numa “tentativa de alterar unilateralmente” o que está definido entre os dois países mais populosos do mundo.

A Linha de Controlo foi uma fronteira demarcada depois do acordo estabelecido entre os dois países em 1993, após anos de negociações e conflitos naqueles territórios em que os dois países reclamam soberania. Em causa estão 1.500 quilómetros de fronteira entre os dois países, com a Índia a reclamar que a extensão da linha que os separa tem cerca de 3.500 quilómetros e a China a reclamar que se tratam antes de 2 mil quilómetros.

Em abril, o Exército de Libertação Popular, da China, ocupou vários postos ao longo da fronteira disputada e começaram a aparecer focos de conflito, com feridos registados, durante o mês de maio. “No total, o Exército de Libertação Popular ocupou cerca de 40 a 60 quilómetros quadrados de território que a Índia considera ser seu”, explicou o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros indianos, Nirupama Menon Rao, num artigo na The Economist.

Esta ocupação chinesa da área controlada pela Índia foi alvo de condenação por parte de Nova Deli, e levou à crescente tensão no local. Até então, para evitar o adensar da tensão na região, os soldados de ambos os lados não andavam armados e ambos os lados garantem agora não terem sido disparados tiros. Vários órgãos de informação avançam a existência de confrontos com recursos a pedras e paus, mas também é conhecida a mobilização militar das duas partes naquela região nos últimos dias.

O antigo ministro indiano garante, no artigo já citado, que “os dois exércitos tinham armas, artilharia e tanques”, embora “tenham usado apenas paus e pedras na frente, quando a noite caiu, a 15 de junho. Isso foi mortal o suficiente”, afirma.