A dada altura, durante os três meses de paragem nas ligas europeias de futebol, parecia certo que Timo Werner iria ser reforço do Liverpool na próxima temporada. O avançado alemão, figura maior do RB Leipzig, era o eleito prioritário de Jürgen Klopp para engrossar o ataque dos reds e ser alternativa a Mané, Firmino e Salah. Werner falou publicamente sobre a vontade de se mudar para a Premier League, Klopp sublinhou que o avançado era “ótimo”, surgiram notícias de que os dois tinham conversado longamente numa vídeoconferência durante o isolamento para alinhavar pormenores: mas no fim, o alemão vai para Inglaterra mas para as margens do Tamisa e não do Mersey.

Ao que tudo indica, Timo Werner já se comprometeu com um contrato verbal para assinar pelo Chelsea, que decidiu bater a cláusula de 60 milhões de euros do jogador. Aos 24 anos, Werner vai ter a primeira aventura fora da Alemanha ao serviço dos blues, onde a influência do treinador Frank Lampard e de Petr Cech, conselheiro técnico, terão sido fulcrais para a decisão do internacional alemão. Atualmente no quarto lugar da Premier League, o Chelsea vai estar na Liga dos Campeões da próxima temporada, tem uma equipa renovada com os talentos da formação e pretende juntar Timo Werner à experiência de Giroud, Willian e Pedro — sendo que os últimos dois terminam contrato a 30 de junho e ainda estão em processo de sedução para renovarem a curto prazo. A imprensa inglesa acrescenta ainda que o clube de Londres, sedento de voltar às glórias de outros anos, também está interessado nas contratações de Kai Havertz, estrela maior do Bayer Leverkusen que também tem o Bayern Munique à perna, e de Ben Chilwell, lateral esquerdo do Leicester que é um dos poucos que ainda sobra da histórica equipa que venceu a Premier League em 2016. Com um projeto aliciante, é expectável que Timo Werner queira voar de Leipzig para Londres o mais depressa possível: e até antes do que seria de esperar.

O avançado é internacional alemão e esteve no Mundial 2018, na Rússia, em que a Alemanha caiu logo na fase de grupos

Com a Bundesliga a decorrer até dia 27 de junho, o RB Leipzig só vai terminar a temporada em agosto, já que ainda está em competição na Liga dos Campeões, onde eliminou o Tottenham nos oitavos de final antes da interrupção. O que, em teoria, significaria que Werner só se iria juntar ao grupo do Chelsea depois de terminada a participação do clube alemão na Champions — e também depois de os ingleses encerrarem a respetiva campanha na liga milionária, onde ainda têm de disputar a segunda mão dos oitavos de final frente ao Bayern. Mas, e de acordo com o Bild, Werner pretende abdicar do que falta da Liga dos Campeões desta temporada para se juntar ao Chelsea assim que a Bundesliga acabar, logo no início de julho. Mesmo ciente de que só poderá representar os ingleses na próxima época, o avançado quer entrar nas dinâmicas de Lampard o mais depressa possível para apressar o necessário processo de adaptação a uma nova liga e a um novo país.

Se isto se confirmar, o RB Leipzig perde o jogador mais influente da equipa não só na ambiciosa campanha europeia como nas competições internas, onde o clube está atualmente no terceiro lugar da classificação. Formado no Estugarda, Timo Werner estreou-se na Bundesliga em 2013 — tornando-se o jogador e marcador mais novo da história do clube — e assinou pelo RB Leipzig ao fim de três temporadas, em 2016. Ao assinar 21 golos logo no primeiro ano, depressa se tornou um alvo do Bayern, que tem o hábito de se reforçar mais nas restantes equipas alemãs do que propriamente nos países estrangeiros. O Leipzig foi resistindo às investidas, Werner foi ficando mas os 31 golos que já leva esta temporada tornaram-no um dos nomes mais apetecíveis do panorama europeu.

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Pelo meio, Klopp acabou por confirmar que Timo Werner não será reforço do Liverpool e explicou que não poderia “justificar” a dispendiosa contratação do avançado numa altura em que os clubes estão a “perder dinheiro” e os jogadores estão a aceitar reduções salariais. “Como é que eu posso discutir com os jogadores as reduções salariais e depois ir por outro lado e comprar um jogador por 50 ou 60 milhões. Teria de me explicar. Se queremos levar as coisas a sério e gerir um negócio normal, dependemos das receitas. E não sabemos quanto é que o clube ainda vai receber. Especialmente porque não sabemos quando é que vamos poder jogar com adeptos outra vez. Neste momento, sem espectadores, temos de reembolsar os bilhetes de época e provavelmente não vender nenhum para o próximo ano. Pelo menos, para os primeiros 10 ou 15 jogos. A zonas VIP não vão estar cheias e os bilhetes não vão ser vendidos”, detalhou o treinador alemão, de forma muito honesta, sobre um problema que está a afetar todos os clubes. Mas que, claramente, não terá afetado o Chelsea da mesma maneira.

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