Brad Smith, presidente e diretor jurídico da Microsoft, atacou uma das empresas concorrentes, a Apple, acusando-a de utilizar táticas monopolistas. Numa entrevista ao Politico, o responsável de uma das maiores empresas tecnológicas do mundo disse que os legisladores norte-americanos e e europeus têm de regular as lojas de apps, não especificando quais. Mais tarde, a Bloomberg avançou que Smith estava a criticar a App Store, da Apple.

Os comentários surgem depois de a Comissão Europeia ter iniciado uma investigação à Apple, como foi noticiado na terça-feira, pela forma como limita os produtores de apps de lucrarem e criarem novos software no ecossistema de produtos como os iPhone e iPad. A Apple, através da App Store, tem sido criticado por ser uma das empresas mais zelosas do seu ecossistema criando inúmeras barreiras aos programadores, monetárias também, para que possam lançar apps no iOS, o seu sistema operativo móvel.

De acordo com Brad Smith, este tipo de lojas de apps cria impedimentos maiores ainda à livre concorrência e acesso a mercado do que o Microsoft Windows criava há 20 anos. No início da década de 2000, a Microsoft foi acusada por autoridades norte-americanas e europeias de implementar táticas de concorrência desleal e abuso de posição dominante no mercado.

A empresa, estava já Brad Smith na Microsoft, chegou a ser sentenciada por táticas monopolistas ao criar impedimentos para que terceiros pudessem disponibilizar software concorrente de programas que disponilizava — como navegadores de internet — através do seu sistema operativo.

Chegou a hora — estejamos a falar de [Washington] D.C. ou Bruxelas — para termos uma conversa muito mais focada sobre a natureza das lojas de aplicações, as regras que estão a ser implementadas, os preços e as taxas de portagem que estão a ser extraídas e se há realmente uma justificação na lei antitrust [termo americano para regras de táticas monopolistas como concorrência desleal e abuso de posição dominante] para tudo o que foi criado”, disse Smith.

Brad Smith acusa agora estas lojas de apps de criarem um cenário análogo e até mais nefasto: “Eles impõem requisitos permitem apenas uma forma de acesso à plataforma e é passar pelo portão que eles mesmos criaram”. E continuou: “Em alguns casos, criaram um preço muito alto para esta portagem — 30% da receita chega a ser destinada ao portageiro”.

A Microsoft não é a única empresa que tem acusado a Apple pela forma como esta restringe o acesso à App Store. Outras tecnológicas com apps para o iOS, como o Spotify, já apontaram também o dedo à Apple. A Microsoft, por exemplo, tem de pagar uma taxa por cada subscrição que consegue para poder disponibilizar os serviços do Microsoft Office (Word, Excel, etc.) ou do Outlook no iOS. Como conta a Bloomberg, a Microsoft ou o Spotify nem sequer podem reencaminhar os utilizadores a subscreverem serviços noutras plataformas porque isso viola as regras da Apple.