A Organização Mundial de Saúde (OMS) apontou esta quinta-feira um “ressurgimento muito significativo” de novos casos de Covid-19 em países na Europa e uma aceleração da pandemia globalmente.

Em conferência de imprensa virtual a partir de Copenhaga, o diretor regional para a Europa da OMS, Hans Kluge, assinalou que no resto do mundo, a pandemia “continua a acelerar” para números recorde, indicando que no domingo passado se registou o maior número de novos casos de sempre: 183.000.

Na semana passada, “a Europa viu um aumento em casos semanais pela primeira vez em meses”, e nos países da região continuam a ser comunicados cerca de 20.000 novos e 700 mortes por dia, apesar de a região apresentar “uma proporção cada vez menor dos casos globais.

Trinta países registaram aumentos nos novos casos acumulados durante as duas últimas semanas. Em 11 deles, a transmissão acelerada do novo coronavírus levou a um ressurgimento muito significativo que, se não for combatido, levará os sistemas de saúde ao limite mais uma vez”, declarou.

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Os novos surtos em países como Espanha, Polónia, Alemanha ou Israel centram-se em “escolas, minas de carvão e ambientes de produção alimentar”.

No que toca aos casos novos em fábricas de produção de carne, como aconteceu na Alemanha, a OMS está a investigar se os surtos se devem às baixas temperaturas que facilitem a propagação do vírus ou à falta de condições para distanciamento físico entre os trabalhadores.

No que toca à segurança dos produtos ali fabricados, a OMS considera que não apresentam risco de contágio pelas medidas de higiene adotadas na embalagem.

Hans Kluge defendeu que as tecnologias digitais de rastreio de contactos e telemedicina devem ser adotadas pelos países para controlar a pandemia mas “de forma sensata”, dando razões aos cidadãos para confiarem que a sua privacidade e segurança não são ameaçadas.

Defendeu ainda que deve ser alargado o acesso dos cidadãos à internet para poderem usar essas tecnologias: “não nos podemos dar ao luxo de haver uma divisão digital além das divisões sócio-económicas”, afirmou.

A pandemia de Covid-19 já provocou quase 479 mil mortos e infetou mais de 9,3 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 1.543 pessoas das 40.104 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano é agora o que tem mais casos confirmados e mais mortes.