Se há coisa que podemos ter como garantida no pouco que se sabe sobre o SARS-CoV-2 é que este, tal como os outros vírus conhecidos, vai sofrer mutações à medida que vai infetando mais pessoas. Foi assim que saltou dos animais para os humanos e foi assim que passou a ser transmitido de pessoa para pessoa. Mas nem todas as mutações vão ter necessariamente um impacto no vírus, positivo ou negativo. É por isso que os investigadores pedem que se olhe com cautela sempre que alguém anuncia que o vírus está mais ou menos virulento.

Esta quinta-feira, foi a vez da equipa de Bette Korber, investigadora no Laboratório Nacional de Los Alamos (Estados Unidos), publicar na revista Cell que tinham encontrado evidências de que uma mutação na proteína spike (S) — uma espécie de chave do vírus que lhe permite abrir a fechadura das células humanas e entrar — aumentava a capacidade de infeção do vírus.

A mutação a que a equipa se refere aconteceu no gene 614 — como se se trocasse uma letra por outra numa palavra — e é característica da maior parte dos vírus SARS-CoV-2 encontrados na Europa, mas também no leste dos Estados Unidos.

“Em Portugal, cerca de 90% dos casos analisados por sequenciação do genoma têm esse perfil, um cenário que tem paralelo na Europa”, confirma ao Observador Vítor Borges, investigador no Departamento de Doenças Infeciosas do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

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