“Foi uma tragédia enorme, ninguém está preparado para ir para um jogo de futebol e ver um colega morrer dentro de campo. É verdade que foi para mim o passe, junto ao banco do FC Porto, antes do meio-campo… Antes tinha dado uma cabeçada, chovia, a bola estava pesadíssima. Foi uma cabeçada enormíssima, eu não tinha dado. Eu tinha dado um passo em frente e não tinha dado… Diz-me vai miúdo, vou para a linha e caiu”. Numa entrevista ao Porto Canal, António Oliveira, antigo jogador e treinador campeão pelos azuis e brancos, explicou o que recorda de um dos momentos mais dramáticos dos dragões em 1973, com morte em pleno relvado num dia 13 ao 13.º minuto de Pavão. Ainda hoje, com uma momentânea interrupção pelo meio, o Belenenses SAD homenageia o antigo médio portista, assim como o FC Porto faz o mesmo em relação a outro craque que partiu cedo, Pepe.

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Nessa conversa, Oliveira desfez o mito de que os jogadores só teriam sabido do sucedido no final do encontro, ao dizer que José Vitorino Santana, médico da equipa, lhe dissera ao intervalo no túnel pedindo um segredo que não aguentou na segunda parte por se ter tornado impossível segurar as lágrimas. Mas nessa conversa também o ’10’ explicou o porquê de Pavão ter sido sempre uma referência, “como jogador e como capitão de equipa”. “Foi sempre alguém que tinha uma característica: era muito direto. Se percebesse que alguém estava a humilhar ou a prejudicar qualquer colega, insurgia-se de imediato. Defendia como ninguém o jogador, o ser humano, e era uma pessoa justa, além de um jogador de exceção. Foi passando um para os outros. Parece que estamos aqui e que são palavras mas não, fomos aprendendo. Tivemos e vamos continuar a ter muita gente a passar valores. Os treinadores precisam que os jogadores entendam mas tem de haver depois essa simbiose, essa sintonia, entre o que um quer e o outro tem de fazer, entre o que um faz e o que o outro quer que faça”, destacou o agora comentador.

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