O Instituto Politécnico do Porto (IPP) vai liderar um consórcio de sete instituições de vários países para criar um campus interuniversitário na Europa, um projeto-piloto a partir do qual a comunidade educativa pode circular sem barreiras, foi esta sexta-feira anunciado.

Inicialmente somos sete os parceiros dispersos por várias áreas da Europa, desde gregos, a alemães, eslovenos, franceses, italianos e lituanos. Mas o projeto não está fechado a estes parceiros. Compete-nos iniciar o processo, teremos cerca de três anos de planeamento que será partilhado e incrementado junto de outras instituições”, disse à agência Lusa o pró-presidente do IPP, José Carlos Quadrado.

Na prática, o projeto consiste na criação de uma Universidade Europeia, iniciativa criada pela União Europeia (UE) que, como descreveu o responsável, tem como objetivo “criar uma nova geração de europeus que em conjunto vão cooperar através das várias línguas e disciplinas, procurando focar-se nos desafios da sociedade e em colmatar a falta de competências existentes na Europa”.

O projeto-piloto liderado pelo IPP designa-se ‘Advanced Technology Higher Education Network’, nome resumido na palavra ‘ATHENA’, e tem como foco dar resposta aos atuais e futuros desafios de uma educação transnacional, inclusiva, inovadora, permanentemente alinhada com as necessidades do mercado global, abordando os desafios sociais e ambientais, bem como as prioridades da investigação europeia.

Na prática, pretende-se trabalhar, discutir e facilitar a transformação digital, área ligada a modelos de ensino à distância, plataformas e salas virtuais, bem como à criação de sinergias de investigação conjunta ou à geração de doutoramentos cuja relevância não sejam tópicos locais, mas tenham uma visão global.

E acima de tudo esta é uma porta de entrada da internacionalização na rede. Pretende-se transformar a Europa numa Europa ajustada à era digital. E a nós compete-nos fazer a adaptação e gestão do processo de forma a que os procedimentos, primeiro aos sete parceiros e depois alargado a centenas, levem a Europa ao objetivo final”, disse José Carlos Quadrado.

No consórcio ATHENA, que se dirige à transformação digital da sociedade e da indústria 4.0, o IPP tem como parceiros a Hellenic Mediterranean University (Grécia), a University of Siegen (Alemanha), a University of Maribor (Eslovénia), University Niccolò Cusano (Itália), University of Orléans (França) e a Vilnius Gediminas Technical University (Lituânia), instituições de ensino superior que, em conjunto, albergam mais de 120 mil estudantes.

Mas o nosso objetivo é chegar muito acima disso, a mais alunos, mais colaboradores e mais investigadores. O objetivo é tornar a Europa mais competitiva por exemplo naquilo que é a necessidade atual de investir na indústria 4.0. Estamos a passar um período complexo no mundo [devido à pandemia da Covid-19] e a indústria vai ter de se reinventar”, disse o pró-presidente que é também responsável pela área da internacionalização no IPP.

José Carlos Quadrado recordou que “o próprio Presidente da República já alertou que a Europa tem de pensar se quer manter a indústria fora da Europa”, acreditando que “este é um passo que mostrará que é possível criar a indústria 4.0, a indústria digital dentro da Europa e com o apoio das universidades”.

Admitindo que, a curto prazo, os resultados do ATHENA passem mais pelo trabalho interno e de casa, nomeadamente pelo mapeamento de interessados a nível europeu em participar no projeto-piloto, José Carlos Quadrado tem expectativa de começar a ter informação e resultados dentro de cerca de dois anos.

Já ao fim de três anos, a própria UE vai fazer a avaliação e vai suportar as redes que se têm portado bem. Daqui a três anos esperemos comprovar que este vetor faz sentido para a UE, ao ponto desta o reforçar”, referiu.

Já informação partilhada com a Lusa pelo IPP, aponta que o projeto tem um orçamento total superior a seis milhões de euros e que, até 2025, a expectativa é que o ATHENA se realize como uma federação de universidades que, sem perder a identidade, beneficie de objetivos comuns, guiada por uma estratégia conjunta de longo prazo.

Paralelamente, José Carlos Quadrado mostrou a convicção de que é “estratégia da UE juntar o que é diverso, mantendo a diversidade cultural e garantir que todos os que são fortes na área [de transformação digital da sociedade e da indústria 4.0] se vão juntar”, criando, por fim, “um grupo muito forte a nível europeu para responder a projetos de investigação, integração da indústria”.

Quando chegarmos ao fim, na UE existirão 20 ou 30 universidades europeias temáticas como parte da grande universidade europeia, a grande universidade global. O IPP tem liderança em termos do número de candidatos que recebe todos os anos nesta área de tecnologias da informação e comunicação. Mas esta é uma preocupação em termos europeus. Precisamos de ganhar a guerra neste domínio e estamos a usar esta Universidade Europeia como ferramenta”, sintetizou.

O IPP, a par do Politécnico de Leiria, são as únicas instituições de ensino superior em Portugal a liderar uma Universidade Europeia, uma iniciativa que surgiu em 2017 na sequência das conclusões da Cimeira de Gotemburgo.