Faltava a aprovação dos sócios e a mesma chegou de forma esmagadora: os associados do Clube Desportivo Estrela aprovaram este sábado por 92% a fusão com o Club Sintra Football e, em paralelo, a criação de uma SAD. Ou seja, e em termos práticos, a histórica formação da Amadora sobe dos Distritais da Associação de Futebol de Lisboa para o Campeonato de Portugal, equivalente ao terceiro escalão nacional, sendo gerida por uma sociedade que será presidida por André Geraldes, antigo team manager do Sporting e CEO do Farense.

Em paralelo, os investidores privados que detêm o capital social da SAD, onde estará também com participação André Geraldes, já fizeram uma proposta para a aquisição do Estádio José Gomes, que foi colocado à venda em leilão em 2019 para abater parte das dívidas do extinto Clube de Futebol Estrela da Amadora, existindo já um projeto que visa não só a requalificação do relvado mas também do próprio recinto, na Reboleira. Paulo Lopo, administrador e detentor da maioria do capital da SAD do Leixões, é um dos nomes ligados ao novo projeto.

A ideia passa agora por criar um projeto desportivo sustentável, que permita ao clube ir preparando as condições para atingir a subida às divisões profissionais. Foi esse o desafio proposto a André Geraldes, que saiu do Farense depois de o algarvios terem alcançado a subida à Primeira Liga, após o final do segundo escalão. Apesar de ter sido alvo de outras abordagens, o ex-CEO do conjunto de Faro, que conhece bem a Amadora, está tentado a aceitar a ideia de digerir a nova SAD do Estrela, tendo para isso a autonomia de gestão que pretendia.

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De recordar que o Estrela da Amadora, fundado em 1932, foi um dos clubes com mais história do Campeonato nas décadas de 80 e 90, onde participou no principal escalão ao longo de 16 épocas, tendo também ganho uma final da Taça de Portugal no segundo jogo no Jamor frente ao Farense, em 1990. Em 2009, já longe dos principais palcos, o clube faliu, foi considerado insolvente no ano seguinte e extinto de vez em 2011, por dívidas a fornecedores, jogadores, antigos atletas, Finanças e Segurança Social. Nesse ano, por ideia de seis sócios, foi refundado com o nome de Clube Desportivo Estrela e começou na Série 2 da 1.ª Divisão da Associação de Futebol de Lisboa.

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De acrescentar que, devido aos números da pandemia no concelho da Amadora, a Direção Geral da Saúde não permitiu que a Assembleia Geral Extraordinária se realizasse nas instalações do clube, passando assim para o campo de treinos do Estoril. Dos 2.500 sócios, foram à reunião magna 92 associados, sendo que o próprio clube colocou à disposição de todos os interessados transporte para o local.

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