A Câmara de Viana do Castelo vai lançar, na terça-feira, “a primeira app de ciência cidadã” que pretende “pôr os munícipes a participar em projetos de índole científico, identificando animais, fungos e plantas” de todo o país.

A plataforma está a funcionar há mais de um ano, numa fase inicial apenas na Internet, e agora evolui para ser uma app, disponível em sistemas operacionais da Android e IOS. O objetivo é que os munícipes possam participar em projetos de índole científico, ajudando a identificar animais, fungos e plantas”, disse hoje à agência Lusa o vereador do Ambiente, Ciência e do Conhecimento na Câmara de Viana do Castelo.

Contactado pela Lusa, a propósito de um comunicado sobre a aplicação enviado esta segundafeira à imprensa pela Câmara da capital do Alto Minho, Ricardo Carvalhido adiantou que a app “vai dar especial atenção às espécies invasoras, tornando-se numa ferramenta importante de gestão e planeamento municipal com vista à sua erradicação uma vez que passam a estar localizadas as áreas invadidas”.

A nova aplicação, designada BioRegisto, que pretende assinalar o Dia Nacional da Conservação da Natureza, que se assinala na terça-feira, começou em 2018, com base online, registando atualmente “mais de 780 observações que correspondem a 267 espécies registadas e validadas pelos parceiros científicos”.

Estão registados, neste momento, segundo a nota do município, “729 utilizadores na plataforma e já foram carregadas 1.252 fotografias”.

As “espécies com mais observações até ao momento foram o Guarda-rios e o Pica-pau-malhado, ambas com 22 registos cada espécie”.

As aves “são o grupo com mais registos, contando já com 308 observações, seguidas dos insetos, com 122 observações, e dos anfíbios, com 39 observações”.

A aplicação “pretende também que os utilizadores apoiem o município na identificação de espécies exóticas (algumas com claro comportamento invasor, como é o caso da acácia), dados de grande valor para o estudo destas espécies, nomeadamente nas suas formas de controlo e erradicação”.

Na terça-feira, as comemorações do Dia Mundial da Conservação da Natureza integram ainda “a assinatura de protocolos de colaboração entre a Câmara, 18 empresas e três associações, tendo por objetivo a reabilitação ecológica de áreas classificadas do concelho de Viana do Castelo, em especial os 13 monumentos naturais, através da realização de ações de erradicação e controlo dos agentes bióticos invasores identificados, garantindo o sucesso do crescimento vegetativo das espécies nativas instaladas”.

Na nota, a Câmara Municipal adianta estar em curso uma empreitada no valor de mais de meio milhão de euros, financiada pelo Programa Operacional da Sustentabilidade e Eficiência no Uso de Recursos (POSEUR) para a recuperação ecológica de cinco monumentos naturais – Pavimentos Graníticos da Gatenha, Cascatas da Ferida Má, Falha das Ínsuas do Lima, Praia Eemiana da Ribeira de Anha e Cemitério de Praias Antigas do Alcantilado de Montedor.

As ações a realizar pelas entidades parceiras “irão contemplar a erradicação de invasoras, plantação de espécies autóctones, limpeza de vegetação, limpeza de resíduos e monitorização da área adotada quanto ao crescimento vegetativo e à sinalética de interpretação, apoio e visitação”.