Todos os trabalhadores das empresas da Global Notícias – dona do DN, JN, O Jogo e a Rádio TSF, atualmente em lay-off simplificado – vão regressar em pleno ao regime de trabalho normal a partir de sexta-feira. A informação consta de um mail interno enviado a todos os trabalhadores e ao qual o Observador teve acesso.

No mesmo mail, a empresa diz que não vai aderir aos novos mecanismos de apoio ao emprego aprovados pelo Governo (e que visa suceder ao atual lay-off simplificado). E justifica porquê, com críticas que se resumem, essencialmente, a duas ideias: por um lado “há uma redução significativa do apoio” à empresa e, segundo, a adoção destes mecanismos iriam ter de ser “suportados pelos trabalhadores”.

“Apesar de a situação do mercado se manter extremamente adversa, e serem grandes as dificuldades de operação, com evidentes consequências na situação económico financeira da empresa, analisadas as medidas aprovadas pelo Governo na passada segunda-feira relativas a regime que sucede ao do layoff simplificado, a Administração concluiu que a significativa redução dos apoios do Estado inerentes a este novo regime leva a que os benefícios que a sua adoção traria para a Empresa seriam essencialmente suportados pelos trabalhadores, não compensando os custos para a Empresa em termos de organização e de capacidade de resposta”, indica a empresa.

Ou seja, na sequência desta decisão, “no dia 31 de julho termina o regime de layoff simplificado para todos os trabalhadores das empresas Global Media Group e Rádio Notícias, pelo que todos voltarão a cumprir o regime de trabalho – presencial ou em teletrabalho – que vigorava até 19 de abril, conforme determinado pelas respetivas chefias”.

O email termina com um alerta aos trabalhadores, com advertências para “grandes desafios” nos próximos meses.

“O termo do regime de layoff e a consequente reposição de rendimentos para os trabalhadores significa para a Empresa a assunção integral da estrutura de custos, pelo que nos esperam grandes desafios”.

Ainda antes da pandemia, as dificuldades financeiras do grupo Global Media tinha levantado receios quanto a um despedimento coletivo em alguns meios de comunicação social mais afetados. A pandemia agravou os problemas, mas estes foram – entretanto minimizados – pelo regime de lay-off simplificado no qual foram postos todos os trabalhadores, nos regimes de redução parcial do horário (em modelos diferentes segundo cada meio) ou suspensão do contrato de trabalho.

O regime de lay-off simplificado criado pelo Governo nos primeiros tempos da pandemia – e ao qual a Global Notícias aderiu – impede os despedimentos nos dois meses seguintes à sua aplicação. Os novos mecanismos de apoio ao emprego aprovados pelo governo na segunda-feira também incluem a mesma obrigatoriedade de não despedimento, sob pena de as empresas que o falam terem de devolver os apoios.

Mudanças na estrutura acionista a caminho?

O semanário Sol escreveu há duas semanas (na sua edição de 18 de julho) que o empresário Marco Galinha – que atualmente detém o Jornal Económico – vai comprar 40% da Global Media. De acordo com o Sol, que não cita fontes, “o acordo com os acionistas de referência já está fechado e só falta assinar o documento. O CEO do grupo Bel vai passar a deter 40% do grupo, ficando a restante posição dividida entre a macaense KNJ Investment (que conta atualmente com 35,25%), os acionistas angolanos representados por José  Soeiro (com 24,5%) e o Novo Banco (que detém 10,5% do capital)”.

O Sol também acrescentava que, com esta aquisição, Joaquim Oliveira (que detém ainda 19,25%) sairia da estrutura acionista, bem como Daniel Proença de Carvalho, atual presidente do conselho de administração.