A ministra da Agricultura, Maria do Céu Antunes, apelou esta quarta-feira a que os pacotes de sementes de países asiáticos que estão a chegar pelo correio sejam entregues às entidades competentes, de forma a proteger “culturas e cidadãos”.

“Pedimos que as entreguem nas direções regionais de Agricultura e Pescas ou que as enviem para as delegações da Direção-Geral de Alimentação e Veterinária”, disse a ministra aos jornalistas, durante uma visita aos trabalhos de vindima que decorrem na Quinta do Pessegueiro, no concelho de São João da Pesqueira.

A governante pediu às pessoas que “não abram, não semeiem e não coloquem no lixo” estas sementes, “porque podem estar contaminadas e podem vir a trazer situações graves” como a da pandemia de Covid-19.

Segundo Maria do Céu Antunes, esta “não é uma situação que seja exclusiva” de Portugal, verificando-se também nos Estados Unidos da América e noutros países da Europa.

“Chegam às caixas de correio das pessoas umas embalagens que não dizem que são sementes, algumas falam em bijuterias”, contou.

O Ministério da Agricultura já tinha alertado na terça-feira para esta situação, explicando que, para além das sementes de várias espécies, as embalagens podem conter solo, larvas mortas ou estruturas de fungos.

As embalagens, cujo conteúdo não aparece especificado, também não são acompanhadas por um certificado fitossanitário que ateste as exigências do país, acarretando assim “sérios riscos do ponto de vista da sanidade vegetal, pela possibilidade de veicularem pragas e doenças ou ainda pelo perigo de se tratarem de espécies nocivas ou invasoras”, acrescentou.

Neste sentido, as sementes não devem ser semeadas ou colocadas no lixo, mas entregues num serviço regional da DGAV ou numa Direção Regional de Agricultura e Pescas.

As notícias a dar conta de um fenómeno idêntico, mas do outro lado do Atlântico, nos Estados Unidos, surgiram no final de julho, com o Departamento de Agricultura a lançar um alerta igual aos cidadãos que, um pouco por todo o país, começavam a receber pacotes com sementes que não tinham encomendado nas caixas do correio.

Na altura, a Reuters explicou que o assunto estava a ser investigado, em conjunto com o Departamento de Segurança Interna e Proteção de Fronteiras, para perceber se as encomendas constituíam ou não uma ameaça à agricultura ou ao ambiente.

Há relatos de encomendas idênticas a chegar, também vindas da China ou de outros países asiáticos, a outras partes do globo. O governo francês também lançou recentemente um alerta: “Estas sementes de origem desconhecida podem ser vetores de doenças não presentes no território francês ou ser de plantas invasoras”.