Depois de surgir em 2009, eis que foi chegada a altura de a Rolls-Royce introduzir a segunda geração do mais pequeno e barato dos seus modelos. O novo Ghost, para já apresentado na versão mais curta entre eixos, despede-se da arquitectura do BMW Série 7 para assentar na plataforma que já serve o Phantom e o Cullinan, com os quais partilha ainda o motor – um poderoso V12 a gasolina com 6,75 litros de cilindrada e dois turbocompressores, que debita 571 cv e 850 Nm.

Acoplado a uma caixa automática de oito velocidades com conversor de binário, o bloco está montado atrás do eixo da frente para uma distribuição do peso perfeita, com 50% a incidir no eixo traseiro e outro tanto no eixo dianteiro. A velocidade máxima encontra-se electronicamente limitada a 250 km/h, sendo a fasquia dos 100 km/h, após arranque parado, alcançada em 4,8 segundos.

A adopção de uma nova base, apropriadamente chamada de “Arquitectura de Luxo”, trouxe mudanças nas medidas. O mais compacto dos Rolls mede 5,546 metros de comprimento, o que significa que cresceu 8,9 cm face à geração que vem substituir. A altura também aumentou 2,1 cm e a largura reclama agora mais 3 cm, passando para os 1,978 metros. A capacidade da bagageira é de 507 litros.

As dimensões não são a única novidade trazida pelo recurso a uma nova plataforma. Mais importante do que o que a fita métrica acusa, são as vantagens decorrentes da nova base, nomeadamente o facto de o novo Ghost passar a oferecer tracção integral, quatro rodas direccionais e um esquema de suspensão completamente redesenhado, capaz de preparar antecipadamente as molas e os amortecedores, com base na leitura que uma câmara instalada no pára-brisas faz do piso que tem pela frente. Tudo para que, com mais ou menos buracos, cada viagem de Ghost se assemelhe a um voo em terra. Vai daí, a suspensão chama-se “Planar”, sendo que esta preparação prévia para a absorção de irregularidades no asfalto qual “tapete mágico” funciona até 100 km/h.

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Para a nova vida da berlina mais bem-sucedida da marca nos seus 116 anos de história, a Rolls-Royce tira partido do seu know-how na construção em alumínio, material que não só dá corpo à carroçaria como também às portas, que estreiam um sistema de abertura e de fecho eléctrico. O recurso ao alumínio traz vantagens, em termos de peso e de rigidez, e outro dos benefícios, nomeadamente face ao aço, prende-se com a inferior impedância acústica, o que facilita a insonorização do habitáculo. Esta, aliás, foi uma das preocupações do fabricante que, visando oferecer um ainda melhor ambiente aos seus clientes, deitou mão a mais de 100 kg de material fonoabsorvente para garantir que o interior não é vítima de ruídos indesejados ou incómodos. O trabalho, à boa maneira da Rolls, chegou ao ponto de usar isoladores acústicos no interior dos pneus, estudar exaustivamente a ressonância de diversas partes da carroçaria e questionar até se a circulação do ar condicionado nas condutas produziria um ruído inaceitável. E, como os engenheiros entenderam que sim, as condutas foram removidas e polidas até se chegar a um componente final ao nível dos padrões da casa de Goodwood.

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As novidades não ficam por aqui. “O Ghost mais avançado de sempre”, como é apresentado pela marca, usufrui de um sistema de visão nocturna, faróis LED e laser com mais de 600 metros de alcance, recorre a quatro câmaras para oferecer uma panorâmica do exterior do veículo e, no domínio da assistência à condução, conta com cruise control adaptativo, alerta de mudança involuntária da faixa de rodagem, aviso de colisão, sistema de estacionamento automático e um head-up display de alta resolução, entre outros.

No interior, a remeter para o irmão maior Phantom, continua a mesma qualidade irrepreensível em cada um dos 338 painéis utilizados, materiais e acabamentos. Como não poderia deixar de ser, o sistema de infoentretenimento é de última geração e o sistema de áudio – com 18 altifalantes e 1300W – foi ajustado especificamente para fazer do habitáculo o melhor palco sonoro que se pode desejar.

De referir, ainda, a forma como a Rolls tira partido da luz para fazer sobressair o eclectismo do novo Ghost. Se, por fora, 20 LED por baixo do topo da grelha iluminam discretamente as barras verticais, no interior há uma verdadeira constelação. Para tal, há 152 LED a espalhar luz por 90 mil microperfurações a laser, produzindo o efeito de pequenas estrelas.

Como se todos estes detalhes não bastassem, os clientes continuam a ouvir um “sim” como resposta, sempre que preferem sair do vasto catálogo de alternativas em matéria de personalização e aventurarem-se em escolhas particularmente adaptadas ao seu gosto pessoal e orçamento.