O líder supremo do Irão, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, disse esta terça-feira que a publicação de caricaturas do profeta Maomé na revista satírica francesa Charlie Hebdo são um “pecado imperdoável”. A Charlie Hebdo republicou as caricaturas no passado dia 2 por ocasião do início do julgamento dos atentados ‘jihadistas’ de 2015 em França.

“O pecado imperdoável de uma revista francesa ao insultar o santo rosto do profeta revelou uma vez mais o ódio e a hostilidade das instituições políticas e culturais do mundo ocidental contra o islão e a comunidade muçulmana”, afirmou Khamenei numa mensagem na Internet.

Para assinalar o início do julgamento dos cúmplices dos irmãos Kouachi, que mataram 12 pessoas no ataque ao Charlie Hebdo, a revista satírica lançou um número especial, cuja capa tem as caricaturas de Maomé publicadas inicialmente pelo jornal dinamarquês “Jyllands-Posten” em 2005 e também uma caricatura feita por Cabu, morto no atentado de 7 de janeiro de 2015. Os ‘cartoons’ eram acompanhados pela pergunta: “Tudo isto por isto?”.

O líder supremo considerou ainda “completamente errado e demagógico” o facto de alguns políticos franceses utilizarem “a desculpa da liberdade de expressão para não condenarem este grande crime”. Segundo Khamenei, “a causa de tais movimentos hostis deve-se às profundas políticas anti-islâmicas dos sionistas e de governos arrogantes”. As representações do profeta são consideradas uma blasfémia pelo islão. No passado, o Irão adotou uma postura muito radical contra o que considerou uma ofensa ao islão. O primeiro líder supremo da República Islâmica, o ayatollah Khomeini, emitiu em 1989 uma ‘fatwa’ ordenando aos muçulmanos para matarem o escritor Salman Rushie, alegando que o seu livro “Os Versículos Satânicos” continha blasfémias contra Maomé.