O Lupa E26 é um veículo eléctrico que está a dar que falar por diferentes razões. Primeiro, porque foi projectado por uma nova empresa que, à semelhança de outras startups, também quer singrar na área automóvel apanhando a “boleia” da transição para a mobilidade eléctrica. Segundo, porque essa nova empresa, a Lupa Motors, surge como que do nada, aqui ao lado, em Espanha, mas já com um plano de negócios que parece bem definido (e ambicioso). Terceiro, e o mais importante, porque exibe como cartão de apresentação um compacto 100% eléctrico que, não desagradando à vista, impressiona mais pelo que promete e ainda mais pelo que exige em troca.

O E26, com até 400 km de autonomia, vai ser proposto por 17.000€ ou 9400€, para os que preferirem fazer a aquisição sem o pack de baterias que, segundo a empresa, vai poder ser comprada à parte. Os valores anunciados, embora (estranhamente) acessíveis, não incluem o IVA nem as ajudas estatais aplicáveis.

O hatchback espanhol, que será exclusivamente comercializado na Internet, vai poder ser reservado em 2022, depois de surgir um protótipo que está programado para Junho. A pré-reserva será colocada mediante o depósito de 100€, de novo uma quantia invulgarmente baixa, tal como o preço pelo qual a empresa informa que irá comercializar o E26 quando este chegar ao mercado, o que só está previsto acontecer em 2023.

A produção será levada a cabo em Barcelona, mas pouco mais se sabe a esse respeito, com a startup espanhola a procurar capitalizar alguma credibilidade no mercado ao adiantar que o projecto envolve engenheiros cujo percurso passou por fabricantes de automóveis tão distintos como a Land Rover, a Nissan, a Ferrari e a McLaren.

Praticamente da bitola do Renault Zoe, o Lupa E26 procura ocupar um lugar entre os utilitários ao reclamar 4,069 m de comprimento, 1,780 m de largura, 1,519 m de altura e 2,590 m na distância entre eixos. Ou seja, face ao eléctrico gaulês, as diferenças mais notórias (que nem chegam a ser significativas) residem no facto de o EV espanhol ser 1,8 cm mais pequeno e 4,3 cm mais baixo. De resto, a largura e a distância entre eixos têm variações mínimas – respectivamente mais 7 mm e mais 2 mm.

Segundo a Lupa Motors, o E26 monta um motor de 87 kW (118 cv) que é alimentado por uma bateria de 42 kWh. Em teoria, esta vai permitir uma autonomia entre 320 e 400 km no ciclo WLTP, dependendo do modo de condução. E existem três: o City, que visa “esticar” o alcance, para o que a potência é limitada a 65 cv e a velocidade máxima se fica pelos 80 km/h; o Sport, que extrai a potência máxima do motor e, no limite, leva o E26 a alcançar 150 km/h; e o  modo Normal, limitado a 80 cv e 130 km/h. A bateria, cuja proveniência é desconhecida, alegadamente aceitará carga rápida, pelo que num posto de 100 kW bastarão 30 minutos para ir de 0 a 80%.

Além do preço baixo, o eléctrico da Lupa quer impor-se pela versatilidade, razão pela qual os acumuladores serão removíveis, abrindo assim a possibilidade de serem utilizados num outro modelo da marca – já lá vamos – ou num E26 novo adquirido sem o pack de baterias. Isto porque, tal como agora propõem os construtores tradicionais, a Lupa afirma que as suas baterias terão garantia de 8 anos ou 160 mil quilómetros. Assim, se o proprietário de um Lupa E26 quiser trocar de carro, pode adquirir um outro modelo da marca sem os acumuladores, nele montando a bateria que possui no antigo, o que sai mais em conta. Para mais, porque pode vender o antigo E26 sem as baterias, com o novo proprietário a poder adquirir na Lupa novos acumuladores, usufruindo por completo da respectiva garantia, apesar de ter um carro em segunda mão. Parece que saem todos a ganhar… Outra solução, proposta pela empresa espanhola, passa por converter as baterias usadas em acumuladores domésticos, cuja instalação orça em 2100€.

Além do E26, a Lupa planeia lançar em 2023 um furgão eléctrico para deslocações urbanas e semi-urbanas, sendo que um ano depois deverá chegar um SUV também para o segmento B. Em 2026, os espanhóis dizem que vão lançar igualmente uma Powerhome, bateria para uso residencial capaz de armazenar a energia gerada por painéis solares. Resta esperar para ver se estes planos vão mesmo encontrar financiamento que lhes permita dar seguimento.