A Flatio, uma plataforma europeia que permite arrendar imóveis a médio prazo, anunciou nesta terça-feira a aquisição da NomadX, um marketplace de imóveis destinado a viajantes, trabalhadores remotos e nómadas digitais, fundado em Lisboa e avaliado em cerca de quatro milhões de euros. Segundo a empresa, esta compra vai permitir expandir a operação em Portugal, dando aos proprietários portugueses o acesso a diferentes públicos-alvo, ao mesmo tempo “que apoia os inquilinos locais, que representam 20% do mercado de Flatio”.

As listagens, gestão e transações imobiliárias da startup incubada na Startup Lisboa serão todas centralizadas na plataforma da Flátio, “após um período de transição de várias semanas, onde os ativos NomadX serão fundidos na tecnologia da Flatio“. No entanto, e apesar desta junção, o mercado de habitação da marca NomadX continuará a existir em Lisboa, Porto e Aveiro, ainda que agora seja “alimentado pela Flatio e expandindo para todos os mercados onde a Flatio já está presente”, que inclui 60 cidades e uma futura expansão para mais cidades portuguesas, acrescenta a nota enviada.

Para Radim Rezek, presidente da Flatio, esta aquisição vai ajudar a empresa “a acelerar o crescimento em Portugal como um dos principais destinos de trabalho remoto e nómadas digitais da Europa”. “Esperamos que Lisboa se torne rapidamente um dos mercados de melhor desempenho nos próximos anos”, sublinha o responsável, citado em comunicado.

Quanto à equipa de vendas e operações de habitação NomadX, esta será integrada na Flatio e vai continuar a dar apoio a hospedes e anfitriões através da tecnologia e das operações da empresa. “A combinação da tecnologia robusta da Flatio, da sua equipa de especialistas e da sua presença geográfica vai ajudar-nos a expandir a marca NomadX mais rapidamente e responder melhor às necessidades dos trabalhadores remotos globais e nómadas digitais”, refere Dave Williams, presidente e cofundador da NomadX.

Como consequência da pandemia, temos a expectativa de que haverá 10 vezes mais viagens de nómadas digitais e trabalho remoto nos próximos dois a três anos, devido à mudança para o trabalho remoto por empresas de tecnologia de ponta como a Apple, o Facebook, o Twitter, a Google, em
todas tecnológicas e outras indústrias. Esta combinação vai ajudar-nos a capitalizar mais rapidamente em cima dessa tendência e chegar mais perto de nosso objetivo de ser a plataforma de arrendamento de médio prazo mais acessível para viajantes que trabalham remotamente e nómadas digitais em todo o mundo”, acrescenta disse Dave Williams.

Com a pandemia da Covid-19, refere a Flatio, o trabalho remoto tornou-se numa realidade cada vez mais presente, “representando uma grande oportunidade para o mercado de aluguer de médio-prazo, já que os hóspedes procuram viajar por períodos de tempo mais longos e os anfitriões procuram aumentar os seus períodos de reserva”. Durante o período da pandemia, a empresa conseguiu aumentar as receitas em 100% nas cidades onde tem melhor desempenho e cresceu ainda 20% no número de reservas globais e mais de 30% no número global de proprietários.

Fundada em 2016 na República Checa por Radim Rezek, Ondřej Dufek e Jakub Škorpík, a Flatio é uma plataforma que permite o arrendamento de imóveis a médio prazo, entre 1 mês a 1 ano, e destina-se a quem necessite de alojamento temporário — geralmente nos casos de viagens de negócios mais longas, estadias de estudo (como Erasmus) ou ainda durante a renovação de apartamentos.

A ideia da empresa é “ligar o negócio imobiliário com os mais recentes avanços em tecnologia e, ao fazer isso, tornar todo o processo de aluguer significativamente mais fácil”, evitando, sempre que for possível, passos como os depósitos, a necessidade de visitas pessoais — as tours aos apartamentos são feitas em Realidade Virtual — ou assinaturas de contratos pessoalmente, sendo tudo feito online. A empresa tem como os seus principais mercados em Praga e Budapeste e nos últimos 12 meses teve mais de meio milhão de utilizadores únicos em todo o mundo.