*Em atualização

O Partido Trabalhista da primeira-ministra da Nova Zelândia Jacinda Ardern venceu as eleições legislativas deste sábado, e está com uma maioria absoluta nas mãos, tornando-se o primeiro partido em décadas a conseguir governar sozinho na Nova Zelândia. A vitória já foi admitida pela adversária conservadora e aplaudida pelos trabalhistas.

Com mais de 90% dos votos contabilizados, Jacinda Arden, 40 anos, assegura um segundo mandato com 49% dos votos, que lhe garantem a eleição de 64 dos 120 deputados ao Parlamento. É o melhor resultado do Partido Trabalhista em 50 anos. “A Nova Zelândia demonstrou o mais forte apoio ao Partido Trabalhista em pelo menos 50 anos”, disse Jacinda Ardern no seu discurso de vitória a apoiantes eufóricos em Auckland após a abertura do seu discurso em maori.

O Partido Nacional, da oposição, liderado pela conservadora Judith Collins e que mudou de líder três vezes este ano, está com projeções de 27% dos votos, o que se traduz em 35 lugares, de acordo com os dados citados pelo jornal The Guardian quando já estavam contados mais de 90% dos votos.

Judith Collins já reconheceu a vitória da adversária trabalhista, tendo falado mesmo num “resultado extraordinário”. “Parabéns à primeira-ministra Jacinda Ardern, a quem telefonei, porque penso que estes são resultados extraordinários para o Partido Trabalhista”, disse na televisão a líder do Partido Nacional (conservadores), no sábado à noite (mais 12 horas em relação a Lisboa).

Jacinda Ardern, falando em Auckland para os apoiantes, agradeceu aos neozelandeses pelo mandato robusto que lhe garantiram e comprometeu-se a governar pela “positiva”. “Não conseguiria imaginar um povo com o qual eu quisesse mais trabalhar, e do qual eu mais quisesse ser primeira-ministra”, disse dirigindo-se à nação. “Governar para cada neozelandês nunca foi tão importante como agora”, acrescentou ainda.

Um mandato “forte” e “muito claro”, foi repetindo a primeira-ministra, ainda sem 100% de certeza — mas com um grande grau de probabilidade — de o Partido Trabalhista vir a governar sozinho, sem precisar de um parceiro de coligação pela primeira vez em décadas.

Ardern, elogiada em todo o mundo pela sua gestão da pandemia de Covid-19, tendo decidido rapidamente fechar as ronteiras e decretar confinamento obrigatório, terá de liderar a recuperação económica da Nova Zelândia, que hoje também realizou dois referendos para decidir sobre a legalização da marijuana recreativa e a eutanásia voluntária.

Com 4,8 milhões de habitantes, o país da Oceânia tem o registo de apenas 25 mortos provocados pela Covid-19 em pouco mais de 1.800 casos de infeção, segundo dados da universidade norte-americana Johns Hopkins.

Votaram nestas eleições de forma antecipada 1.7 milhões de neo-zelandeses, um número recorde que corresponde a quase metade dos 3.5 milhões de votantes. Certo é que Jacinda Ardern, que chegou ao poder em 2017, tornou-se a mais popular líder de governo daquele país nos tempos modernos, mesmo enfrentando crise atrás de crise, com a Covid-19 à cabeça e uma das piores recessões em décadas.

Ardern ficou conhecida como uma das mais progressistas líderes mundiais, e pediu aos eleitores um segundo mandato para poder pôr em prática as promessas de reformas estruturais que tinha feito e que ainda não executou por completo. No primeiro mandato, proibiu a exploração de petróleo e gás, aumentou a licença parental paga, subiu o salário mínimo e os benefícios para os neozelandeses mais carenciados.

“Ainda não terminei. Pensei que fosse resolver problemas de décadas em apenas três anos, mas não é possível”, chegou a dizer numa entrevista referindo-se à pobreza infantil que tem atingido recordes naquele país.

A Comissão Eleitoral antecipou também que os Verdes obteriam 8% dos votos e o partido minoritário ACT 7,7%, um resultado que lhe permitiria ocupar dez lugares cada um no Parlamento.