É mais que natural que a União Europeia (UE) se preocupe e legisle para garantir que os veículos que circulam no Velho Continente sejam mais seguros e menos poluentes, em benefício da população. Até é aceitável e, mais do que isso, desejável, que se debruce sobre a iluminação dos veículos, não só para que quem vai ao volante veja correctamente o que está à sua frente, como para que os seus faróis não encadeiem os condutores que circulam em sentido contrário. Mas desta vez a UE foi mais longe.

O Spirit of Ecstasy, a pequena escultura que ornamenta o capot do motor dos Rolls-Royce, é uma peça elegante e sofisticada, que orgulha os proprietários da marca britânica e causa alguma inveja em alguns dos restantes. E não tem sido fácil para a Rolls manter a figura por cima da grelha dos modelos da marca.

A primeira dificuldade passou por evitar que os ladrões roubassem a estatueta, o que passa por ela recolher sempre que se desliga o veículo. A outra dificuldade prendia-se com os danos que a “senhora alada” poderia causar num peão em caso de atropelamento, o que levou a Rolls a conceber um sistema com sensores que recolhem automaticamente a estatueta em caso de embate.

A marca britânica decidiu recentemente conceber um Spirit of Ecstasy em cristal que, como seria de esperar, podia ser iluminado num tom suave e azulado. Alguns clientes adoraram a proposta mas, este mês, a UE cortou a criatividade do fabricante, obrigando a Rolls-Royce a retirar a iluminação do Spirit of Ecstasy do catálogo da marca e a devolver o custo deste opcional aos clientes que o adquiriram.

De acordo com a UE, a iluminação da estatueta excede o que a UE define como poluição luminosa. Isto numa época em que as assinaturas luminosas dos veículos (daytime running lights) que estão na moda – e algumas emitem tanta luz que até levam os condutores a conduzir com as luzes apagadas (médios ou máximos), julgando erradamente que os têm acesos – são não só um must como algo que não pára de crescer. E de aumentar de dimensões e intensidade.