O verão de 2018 colocou o Chelsea perante uma grande decisão, tomada em pouco tempo mas com reflexo a médio ou longo prazo: sem Petr Cech, carismático guarda-redes que após vários anos em Stamford Bridge foi acabar ainda a carreira ao Arsenal antes de regressar aos blues como treinador e consultor, e com Courtois de saída para o Real Madrid, era necessário um guarda-redes para assumir a titularidade, agarrar o lugar e iniciar uma nova era na baliza. Problema? Os mais desejados eram impossíveis, os únicos possíveis tinham preços tudo menos desejados. Assim, não houve outra alternativa: pagar a cláusula de rescisão por Kepa. Ou seja, 80 milhões.

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O jovem guarda-redes espanhol do Athl. Bilbao, então com 23 anos, chegou a Londres com o “peso” extra de se ter tornado o mais caro da posição na história do futebol e nunca conseguiu propriamente reunir uma opinião muito unânime em seu torno, com alguns erros mais grosseiros que iam superando os registos de exibições mais sólidas. Ainda assim, Maurizio Sarri nunca abdicou do seu novo número 1. Com Frank Lampard já não foi igual e, após alguns jogos no banco na última época com o veterano Willy Caballero na posição, o inglês pediu para que fosse contratado um outro guarda-redes. Desejo cumprido, chegou Edouard Mendy. Por 24 milhões.

Kepa, o guarda-redes mais caro da história que Lampard deixa no banco (e explica porquê)

Kepa foi titular nas duas primeiras jornadas, Mendy avançou depois de mais um lapso crasso do espanhol, houve mais uma oportunidade para o antigo guarda-redes do Athl. Bilbao mas o último empate a três com o Southampton terá sido uma última gota na paciência de Lampard, que deu a titularidade ao senegalês na estreia do Chelsea na Liga dos Campeões diante do Sevilha. Por essa parte, nada falhou – o problema mesmo foi na frente, onde nem os titulares Pulisic, Havertz, Timo Werner e Mount, nem os suplentes utilizados Abraham ou Ziyech conseguiram desfazer o nulo num jogo com poucos remates onde os espanhóis ainda ameaçaram a vitória.

Mas o encontro acabou por surgir num contexto onde o Chelsea foi notícia por algo que inicialmente até chegou a ser referido como um engano mas que se acabou mesmo por confirmar: Petr Cech, que deixou de jogar há mais de um ano, foi inscrito na lista dos londrinos para a Premier League, prevenindo quaisquer problemas que possam existir com a Covid-19. Kepa, esse, arrisca continuar a ficar no banco. E a possibilidade de haver uma venda do internacional espanhol que amortize o investimento feito em 2018 parece cada vez mais afastada.

E as notas a esse propósito não se ficaram por aí, neste caso olhando para o Arsenal: Özil, internacional alemão de 32 anos que foi contratado ao Real Madrid por 50 milhões de euros e tem ainda hoje o salário mais alto da equipa dos gunners, não foi inscrito pelo clube nem na Premier League, nem na Liga Europa, numa decisão surpreendente de Mikel Arteta que voltou a deixar o germânico fora do futuro a breve e médio prazo. Com contrato até ao final da época com um ordenado semanal de 350 mil euros (1,4 milhões por mês), o esquerdino ficará a treinar com os restantes companheiros sem jogar até janeiro, altura em que pode assinar por outra equipa… a custo zero.